Cantos de passarejos e jubartes seguem regras do linguagem humana, diz estudo

Estudo revela que cantos de passeri e jubartes seguem a lei de Zipf, padrões estatísticos semelhantes aos da linguagem humana.

Cantos de passarejos e jubartes seguem regras do linguagem humana, diz estudo

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Cantos de passarejos e jubartes seguem regras do linguagem humana, diz estudo

Por Riccardo Neri — Um novo estudo publicado em Science Advances revela que o canto de algumas espécies animais segue padrões estatísticos comparáveis aos do linguagem humana. A pesquisa, conduzida por equipes da Universidade de Edimburgo, da Universidade Hebraica de Jerusalém, da Universidade Teikyo e da Universidade de St. Andrews e liderada por Simon Kirby, Inbal Arnon, Kazuo Okanoya e Ellen Garland, analisou as vocalizações de passeri do Japão e de jubartes (megattere) e encontrou regularidades surpreendentes.

Usando métodos inspirados nos processos pelos quais recém-nascidos reconhecem palavras, os cientistas mapearam as unidades sonoras em sequências e observaram que essas sequências obedecem à lei de Zipf. Em termos práticos, isso significa que elementos mais frequentes aparecem de forma muito mais recorrente do que os menos frequentes — um padrão também típico de línguas humanas, onde a palavra mais comum surge cerca de duas vezes mais que a segunda mais frequente e três vezes mais que a terceira.

A análise mostrou ainda que blocos de sílabas mais usados tendem a ser mais curtos, enquanto unidades raras são, em média, mais longas. Esse arranjo não surge apenas no repertório adulto: está presente já nos primeiros ensaios vocais dos jovens, que aprendem imitando os adultos. Segundo Kirby, "estávamos habituados a considerar a linguagem como algo exclusivo da nossa espécie; na realidade, encontramos uma comunhão notável entre espécies separadas por mais de 300 milhões de anos de evolução".

Do ponto de vista analítico, o resultado aponta para princípios gerais que governam sistemas de comunicação aprendida. É como se existissem alicerces digitais e camadas formais que emergem sempre que a informação é transmitida culturalmente através de gerações. Em termos de infraestrutura, as vocalizações funcionam como um sistema nervoso distribuído: regras de compressão e eficiência tendem a ser favorecidas independentemente do substrato biológico.

Os autores ressaltam que essas semelhanças não implicam necessariamente uma equivalência funcional completa entre o canto animal e a linguagem humana, mas indicam que a evolução pode convergir para soluções semelhantes quando o problema é transmitir informação de forma eficiente. Em outras palavras, padrões estatísticos como a lei de Zipf são artefatos robustos de sistemas de comunicação aprendidos e transmitidos culturalmente.

Para pesquisadores de cidades inteligentes, redes de dados e ecossistemas digitais, a descoberta oferece uma analogia útil: assim como protocolos eficientes e compactos emergem na engenharia de redes para minimizar custos e latência, estratégias semelhantes parecem surgir nas vocalizações animais para otimizar a transmissão. O estudo abre caminhos para novas investigações sobre como regras estatísticas fundamentais moldam o fluxo de informação em diferentes camadas de inteligência — biológica e artificial — sem depender de um mesmo ponto de origem evolutiva.

Em resumo, o trabalho amplia nossa compreensão sobre as bases do aprendizado cultural e da comunicação, colocando os cantos de passeri e de jubartes no mesmo mapa conceitual que as línguas humanas: estruturas emergentes, otimizadas e replicadas ao longo do tempo, os verdadeiros alicerces de qualquer sistema comunicacional complexo.