CES 2026: Como a inteligência artificial se tornou infraestrutura para casas e cidades
CES 2026: a IA sai das demos e vira infraestrutura da smart home, com interoperabilidade, robôs domésticos e displays avançados.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
CES 2026: Como a inteligência artificial se tornou infraestrutura para casas e cidades
Por Riccardo Neri — No CES 2026, em Las Vegas, a inteligência artificial deixou de ser espetáculo de vitrine para assumir o papel de alicerce digital do cotidiano: da smart home aos centros de dados, passando por mobilidade e espaços de trabalho. O evento mostrou um movimento claro da indústria: menos ênfase em gadgets isolados e mais foco em ecossistemas que orquestram dispositivos distintos por meio de software e protocolos comuns.
A mensagem da CTA — a associação que organiza a feira — foi explícita: estamos no ponto de transição "da teoria à aplicação prática". Esse movimento não é apenas cosmético. Significa que a IA precisa funcionar como infraestrutura, com rotinas automatizadas, coordenação entre agentes e medições de eficiência energética para justificar sua adoção em larga escala.
Um dos fios condutores mais evidentes em Las Vegas foi a busca por interoperabilidade. Marcas tradicionais e novos players discutem como reduzir as barreiras entre plataformas: se a casa inteligente é uma rede, seus componentes só entregam valor real quando falam a mesma linguagem. A aposta em padrões abertos — e na expansão do suporte ao Matter — apareceu como resposta técnica a esse desafio, com produtos pensados para integrar fechaduras, termostatos, lâmpadas e hubs sob um mesmo fluxo de dados.
No pavilhão das grandes marcas, a narrativa trouxe sutilezas de arquitetura digital. A Samsung enfatizou ecossistemas abertos como base de uma home AI confiável: o valor decorre da orquestração, não apenas da potência do hardware. Em paralelo, a LG mostrou a IA "em ação": o robot doméstico CLOiD é a expressão mais direta da estratégia Zero Labor Home, um agente que transita pela casa e distribui tarefas entre eletrodomésticos coordenados, reduzindo atritos e tempo perdido.
Do ponto de vista do design de produto, a atenção voltou-se para a integração física e digital. A LG reapresentou o conceito Wallpaper com o OLED evo W6, perfil de apenas 9 mm e conectividade sem fio pensada para reduzir cabos e interferências estéticas. Já a disputa pelo entretenimento doméstico ganhou novas amplitudes: a Samsung exibiu um Micro RGB de 130 polegadas com um pacote dedicado de processamento IA (Micro RGB AI Engine Pro) para reforço de cor e HDR, e a TCL empurrou a barra do Mini LED com a linha SQD-Mini LED, alegando até 20.000 zonas de dimming e picos de 10.000 nits.
Ao mesmo tempo, o salão trouxe os experimentos mais estranhos — e instrutivos — sobre como integrar robótica e telas ao lar: robôs domésticos capazes de subir degraus, "pets" tecnológicos de companhia, laptops com telas enroláveis e maxi-telas pensadas como objeto de galeria. Essas peças ilustram que a inovação não segue apenas uma trilha linear; testam limites físicos e protocolos, alimentando as camadas de inteligência que poderão, eventualmente, se estabilizar em padrões úteis.
Do ponto de vista sistêmico, o takeaway é claro: a corrida não é mais só por chips mais rápidos, mas por software que orquesta, por padrões que garantem compatibilidade e por medições que comprovem economias (inclusive energéticas). A IA passa a ser uma espécie de "sistema nervoso" para casas e cidades — invisível, distribuída e dependente de interfaces abertas. Para quem vive na Europa e na Itália, isso significa decisões de compra e políticas públicas que privilegiem interoperabilidade, eficiência energética e segurança como critérios de infraestrutura, não meramente de consumo.
O CES 2026 reforça que a tecnologia útil é aquela que se integra: menos vitrines isoladas, mais redes que se sustentam. A transição da demonstração para a prática exige padronização, orquestração e olhar crítico sobre o consumo de energia — as verdadeiras fundações para uma adoção responsável da IA doméstica e urbana.