Cirurgia bariátrica sai mais barata que tratamento com GLP-1 em diabéticos obesos, aponta estudo da Mayo Clinic
Estudo da Mayo Clinic indica que a cirurgia bariátrica é mais econômica que os medicamentos GLP-1 em pacientes obesos com diabetes tipo 2.
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Cirurgia bariátrica sai mais barata que tratamento com GLP-1 em diabéticos obesos, aponta estudo da Mayo Clinic
Um estudo liderado por Michael A. Edwards, da Mayo Clinic, apresentado no congresso da American Society for Metabolic and Bariatric Surgery, conclui que a cirurgia bariátrica é menos onerosa ao longo do tempo do que o tratamento com medicamentos GLP-1 em pacientes com obesidade e diabetes tipo 2. A análise, baseada em quase 91.000 pacientes com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 35 e diabetes tipo 2, utilizou dados do banco STATinMED coletados entre 2017 e 2023.
Em um horizonte de dois anos, os custos associados aos tratamentos farmacológicos foram, em média, cerca de US$ 17.000 superiores aos da sleeve gastrectomy (US$ 58.600 contra US$ 41.400) e aproximadamente US$ 7.200 a mais quando comparados ao bypass gástrico (US$ 58.600 contra US$ 51.300). Esses valores consideraram tanto os gastos diretos com terapias quanto os custos relacionados a complicações e doenças persistentes.
Após procedimentos de pareamento estatístico, os pesquisadores confrontaram milhares de pacientes tratados com GLP-1 com grupos equivalentes submetidos à cirurgia bariátrica. O trabalho destaca que a percepção de que os fármacos seriam mais vantajosos por apresentarem custo inicial menor não se sustenta quando se incorporam variáveis como duração do tratamento, adesão e arquitetura dos reembolsos.
“Com a crescente difusão dos GLP-1 é fundamental compreender o seu impacto econômico no longo prazo em comparação à cirurgia”, diz Edwards. A avaliação das opções terapêuticas, segundo os autores, precisa contemplar eficácia clínica, segurança, experiência do paciente e sustentabilidade econômica ao longo do tempo.
Richard M. Peterson, presidente da associação e não envolvido no estudo, acrescenta que “a obesidade é uma doença crônica e as decisões devem considerar os desfechos de longo prazo e os custos globais”. As técnicas cirúrgicas, como o bypass gástrico e a sleeve gastrectomy, são reconhecidas entre as intervenções mais eficazes e duradouras para a obesidade severa e suas comorbidades, com benefícios comprovados sobre o diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão.
Entretanto, um dado ressalta um descompasso entre evidência e prática: menos de 1% dos pacientes elegíveis realiza esses procedimentos anualmente nos Estados Unidos. Além do potencial clínico, o perfil econômico evidenciado pelo estudo pode catalisar uma revisão dos caminhos de cuidado, favorecendo maior inclusão da cirurgia nos protocolos terapêuticos para obesidade.
Como analista que observa a infraestrutura de saúde através da lente dos sistemas, vejo este resultado como uma avaliação da eficiência dos alicerces do cuidado: o algoritmo como infraestrutura — sejam fármacos contínuos ou intervenções pontuais — precisa ser mensurado não apenas pelo custo imediato, mas pelo fluxo de custos e benefícios ao longo do tempo. Para a Europa e a Itália, onde os sistemas de reembolso, a adesão ao tratamento e a prioridade para intervenções de saúde pública diferem dos EUA, este estudo fornece evidências importantes para repensar a alocação de recursos e a arquitetura das vias de atendimento à obesidade e ao diabetes tipo 2.
Em suma, a pesquisa reforça que a decisão terapêutica deve ser multidimensional: eficácia clínica, segurança, experiência do paciente e sustentabilidade econômica formam o sistema nervoso que sustentará políticas de saúde pública mais resilientes e eficientes.