Como as tecnologias de fronteira — IA, robótica, quântica e clean tech — remodelam a economia global até 2033
Estudo ISPI-Deloitte: mercado de tecnologias de fronteira chegará a US$16,4 tri até 2033, mas desigualdades em infraestrutura e formação limitam benefícios.
RESUMO ✦
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Como as tecnologias de fronteira — IA, robótica, quântica e clean tech — remodelam a economia global até 2033
Um estudo conjunto da ISPI e da Deloitte, apresentado no NEXT Milan Forum e alinhado às projeções da UNCTAD, sinaliza que o mercado das tecnologias de fronteira — incluindo inteligência artificial, robótica avançada, calculo quântico e clean tech — poderá alcançar cerca de 16,4 trilhões de dólares até 2033. Essa estimativa confirma que essas camadas tecnológicas estão se tornando alicerces centrais da economia mundial, mas também revela fortes assimetrias na distribuição de benefícios.
O documento "Innovation and Emerging Technologies: from Progress to Prosperity" destaca que a capacidade de converter inovação em prosperidade depende diretamente de condições habilitadoras: infraestrutura física e digital, capacidade de cálculo, conectividade de baixa latência e, sobretudo, competências humanas. Hoje, 77% da capacidade global dos data centers está concentrada em países de alta renda, enquanto os países de baixa renda possuem menos de 0,1% dessa capacidade. A cobertura do 5G também desenha o mesmo padrão: 84% da população em economias avançadas tem acesso, contra apenas 4% nas menos desenvolvidas. Essas disparidades operam como gargalos que limitam a adoção em escala de aplicações intensivas em dados e latência, notadamente a IA.
No nível da produtividade, a integração de ferramentas de GenAI entre pequenas e médias empresas em economias avançadas já gerou ganhos superiores a 25%. A Itália, porém, registra aumentos mais modestos em relação aos Estados Unidos e ao Reino Unido — um reflexo da difusão desigual das tecnologias ao longo das cadeias de valor e da fragmentação regional das capacidades digitais. Em termos práticos, inovação sem uma malha de suporte (rede, centros de dados, formação) tem pouco poder transformador.
A ênfase recai também sobre as competências: menos de 5% da população em países de baixa renda possui habilidades digitais básicas, frente a 66% nas economias líderes. A análise mostra uma correlação direta entre investimento em requalificação profissional e impacto da IA na produtividade empresarial: um aumento de 1% nos investimentos em formação eleva em 6% o efeito da IA sobre o desempenho das empresas. Em outras palavras, capital humano é tão infrastructural quanto cabos de fibra ou racks de servidores.
Antonio Villafranca, vice-presidente de pesquisa da ISPI, sintetiza o componente geopolítico: o domínio sobre dados, capacidade de cálculo e competências traduz-se cada vez mais em poder econômico e estratégico. Um punhado de atores concentra influência tecnológica, criando riscos de fragmentação e desigualdade no ordenamento tecnológico global. Essa dinâmica aumenta tensões e exige cooperação internacional para um desenvolvimento ético, sustentável e equitativo das novas tecnologias.
Há sinais positivos: algumas economias emergentes, como Índia, Filipinas e Brasil, superam expectativas graças a políticas públicas direcionadas — investimentos em formação, estímulos à digitalização e parcerias público-privadas que ampliam capacidade local. Mas o balanço final dependerá da capacidade de articular infraestrutura, regulação e capital humano de forma integrada, como um sistema nervoso onde cada camada comunica e potencia a outra.
Em termos práticos para a Itália e para a Europa, a lição é clara: acelerar a implantação de data centers distribuídos, expandir cobertura 5G, financiar programas de requalificação e promover marcos regulatórios que fomentem cooperação transnacional. Sem esses elementos, as tecnologias de fronteira permanecerão fontes de crescimento — porém concentrado e geograficamente polarizado — em vez de alavancas de prosperidade ampla e sustentável.