Gap de gênero na IA: 70% dos desenvolvedores são homens, alerta a comunidade GenS
GenS alerta: 70% dos desenvolvedores de IA são homens; Itália tem só 18% de graduadas em STEM. Urge agir contra o viés e fomentar a igualdade.
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Gap de gênero na IA: 70% dos desenvolvedores são homens, alerta a comunidade GenS
Após as apresentações teatrais itinerantes intituladas "La scienza che a scuola non ci hanno raccontato", que levaram às escolas e festivais histórias de cientistas mulheres esquecidas, a comunidade GenS - Generazione STEM - formada por jovens mulheres interessadas em ciências, voltou a denunciar a urgência de enfrentar o gap de gênero no desenvolvimento de software para IA. Segundo o grupo, esse campo funcional está contaminado por preconceitos e bias de gênero que se infiltram nas camadas mais básicas dos algoritmos.
Os números dão suporte a essa análise sistêmica: estudo da Organização Internacional do Trabalho indica que cerca de 70% dos desenvolvedores de software para inteligência artificial são homens, enquanto apenas 30% das mulheres ocupam posições de projeto e desenvolvimento de modelos de linguagem e chatbots. "Isso se reflete nas análises e nas respostas dos sistemas", explica Alessandra Cravetto, fundadora da comunidade GenS.
Cravetto alerta também para o impacto laboral: "As mulheres já correm o dobro do risco de perder o emprego em função da automação impulsionada pela IA. Cargos de secretariado e administrativos — em sua maioria ocupados por mulheres — serão facilmente substituídos". Do ponto de vista da arquitetura social, trata-se de um colapso parcial dos alicerces digitais do mercado de trabalho, onde a automação replica desigualdades existentes.
Para reequilibrar essa infraestrutura humana e técnica, GenS defende políticas de igualdade e um incremento substancial no número de graduadas em STEM. Em 2024, a proporção de mulheres formadas nessas áreas na Itália era de apenas 18%, contra uma média europeia de 26%. A discrepância regional dentro do país também é marcada: ainda existe uma divisão significativa entre norte e sul.
As projeções de mercado pressionam essa necessidade: segundo a Confindustria, a demanda por novos profissionais em ciência, tecnologia, engenharia e matemática poderá alcançar 2 milhões de postos nos próximos cinco anos. Do ponto de vista de infraestrutura educativa, isso exige não só mais matrículas, mas também estruturas de orientação eficazes e uma cultura que não desencoraje a participação feminina. "Muitas vezes são as próprias mulheres que se autosabotam, não se considerando à altura", observa Cravetto.
GenS busca uma abordagem prática: além das peças teatrais, a comunidade promove atividades de orientação nas escolas de toda a Itália, compartilhando experiências e trajetórias de mulheres cientistas. Essa estratégia lembra a manutenção de uma rede elétrica: intervenções locais e pedagógicas que asseguram o fluxo de talento e preservam a resiliência do sistema científico.
O diagnóstico é claro e o remédio também: políticas públicas de incentivo, programas de formação e uma mudança cultural que reconheça a presença feminina como componente estrutural da inovação. Tratando a educação e o mercado de trabalho como camadas integradas de uma mesma infraestrutura, é possível reduzir o gap de gênero e evitar que os algoritmos cristalizem discriminações humanas. Para a Itália e para a Europa, a urgência é técnica e ética — e exige intervenções coordenadas antes que os vieses se tornem parte permanente do sistema nervoso digital das cidades.