Como a inteligência artificial transforma o smartphone: de gadget a assistente pessoal
Como a IA transforma o smartphone de gadget a assistente pessoal: on-device, cloud, privacidade e o impacto dos dispositivos dobráveis.
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Como a inteligência artificial transforma o smartphone: de gadget a assistente pessoal
Por Riccardo Neri — A inteligência artificial nos smartphones deixou de ser apenas um conjunto de truques para edição de foto e filtros: está se consolidando como um assistente pessoal integrado, capaz de otimizar dezenas de micro-tarefas diárias e, na prática, devolver tempo ao usuário.
Executivos das principais fabricantes confirmam uma mudança cultural. Para Giorgia Bulgarella, diretora de marketing da Motorola, a IA foi inicialmente "percebida e comunicada como um gadget" que ajudava a diferenciar aparelhos em um mercado homogêneo. Hoje, continua ela, a tecnologia "está evoluindo" e passa a ser "mais percebida e, sobretudo, usada como um assistente". O crescimento do uso do Moto AI é a pista de que as pessoas já começam a interagir com esses recursos, e o próximo salto, segundo a Motorola, será para uma IA agentica — um agente que aprende hábitos e opera em um ecossistema de dispositivos interconectados, com o indivíduo no centro.
Na perspectiva da Samsung, colocada por Nicolò Bellorini, vice-presidente da empresa na Itália, a avaliação prática deve prevalecer: a IA tem de entregar serviços úteis, não apenas manchetes. O ganho real de produtividade vem "da soma de micro-aumentos" em operações corriqueiras — desde a navegação em documentos extensos até retoques em fotos, melhoria de vídeos e traduções em linguagem natural — sem obrigar o usuário a aprender novas aplicações ou fluxos de trabalho.
O grande ponto técnico e ético é onde essa inteligência deve «viver»: no aparelho ou no cloud? Andreas Zimmer, Head of Product da Huawei para a Europa, defende que sempre que possível a solução seja on-device. Levar os modelos para a borda (edge) significa menor latência e vantagens de privacidade — uma espécie de «eletricidade invisível» que precisa estar longe de vazamentos. O cloud continua necessário para acessar conhecimento amplo ou fontes externas, mas a filosofia é maximizar o processamento local quando viável.
Samsung propõe um modelo híbrido e acrescenta um ponto estrutural: a governança dos dados. "Haverá ambos os modelos. O importante é permitir a escolha sobre onde os dados ficam", diz Bellorini, relacionando isso com ferramentas de segurança e transparência como a plataforma Samsung Knox e controles de privacidade que permitem decidir e revogar permissões em qualquer momento. A vitória comercial não será apenas da IA mais potente, mas da IA que inspira confiança sobre o destino dos dados.
Por fim, a visibilidade da inteligência cresce com novos formatos de dispositivo. Os dispositivos dobráveis — e outros form-factors — criam interfaces e fluxos de uso que tornam as camadas de inteligência mais integradas ao dia a dia. Em termos de arquitetura urbana do digital, estamos movendo o algoritmo do papel de efeito especial para o alicerce dos serviços móveis: uma camada que coordena hábitos, dispositivos e decisões com eficiência mensurável.
O campo está em transição: de funcionalidades pontuais para um sistema nervoso de assistentes digitais que atuam em múltiplos dispositivos. Para o usuário europeu, e em especial para quem vive em centros urbanos italianos, isso significa menos fricção, mais velocidade e a necessidade de novo equilíbrio entre utilidade e controle sobre os próprios dados.