Influencers na Itália: 40 mil profissionais, faturamento médio de €24.038 e só 2,5% com o novo código Ateco
Na Itália, 40 mil influencers; faturamento médio €24.038 em 2025 e só 2,5% com o novo código Ateco. Perfil, números e impacto regulatório.
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Influencers na Itália: 40 mil profissionais, faturamento médio de €24.038 e só 2,5% com o novo código Ateco
Um ano após a introdução do novo código Ateco específico para influencers, a Itália contabiliza cerca de 40 mil profissionais registrados — mas apenas 2,5% deles migraram oficialmente para o novo enquadramento. É a fotografia de um setor em transição, onde os alicerces administrativos se rearranjam mais devagar do que as rotinas de publicação.
O levantamento realizado por Fiscozen em parceria com Kolsquare, com base em mais de 5 mil perfis em Partita Iva, mostra um faturamento médio anual que subiu de €21.502 em 2024 para €24.038 em 2025 (+11,8%). Há diferenças claras por gênero: em 2025 as mulheres — que representam 34% do total — registraram média de €21.840, enquanto os homens, 66% dos profissionais, alcançaram €26.237.
O perfil demográfico é claro: idade média de 32 anos e predominância das categorias nano e micro influenciadores (74%), ou seja, comunidades de até 100 mil seguidores. Os setores mais representativos são relações pessoais, moda e beauty, fitness e food. Apesar da percepção comum, conteúdo patrocinado corresponde a apenas 3,1% do total publicado; a maior parte das postagens serve para construir confiança e engajamento — o sistema nervoso básico da relação marca-comunidade.
Em abril de 2025 a classificação Ateco incluiu formalmente o código 73.11.03, pensado para identificar quem “influencia” comercialmente por meio de plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. Esse código convive com os anteriores 73.11.01 e 73.11.02, que continuam ativos, e marca um reconhecimento fiscal mais preciso da atividade, reduzindo a ambiguidade que antes a fazia ser tratada por códigos de publicidade genéricos.
Além da mudança nos códigos, a atividade recebeu em 2025 normas complementares: Linhas-guia, um Código de Conduta e a proposta de um Albo dos Influencers por parte da Agcom. São intervenções que atuam como infraestrutura regulatória, dando camadas de inteligência institucional a um mercado até então marcado pela heterogeneidade de práticas fiscais e contributivas.
Um dado interessante do estudo é o desempenho de quem já migrou para o novo código: apenas 2,5% do universo pesquisado — leve predominância feminina (51%) e idade média de 31 anos —, mas com faturamentos médios substancialmente mais altos: €34.521 no conjunto, €31.649 para mulheres e €37.393 para homens. Já os códigos Ateco relacionados a Influencer Marketing (incluindo agências e social media managers) e aos content creators apresentaram faturamento médio de €39.947 em 2025, um salto de 23% sobre 2024, o maior dentre os códigos analisados.
Em termos práticos, os números indicam um setor que cresce em receita e caminha para maior formalização, mas cuja arquitetura fiscal ainda se assenta em camadas: poucos adotaram o novo código, enquanto o mercado de serviços adjacentes (agências, gestores de redes) acelera mais rápido. Como em uma cidade que vai ganhando redes de energia mais eficientes, a uniformização dos códigos e das normas promete mais previsibilidade para os profissionais e para o sistema tributário. A diferença está na velocidade da migração administrativa — um gargalo que afeta renda média e transparência fiscal.
Para quem vive e trabalha na Itália, essa transição é relevante: regulações e códigos não são meros rótulos, mas tubulações que canalizam receitas, obrigações e acesso a benefícios contributivos. A evolução do setor será tanto técnica quanto institucional, e acompanhar a adoção do Ateco e das normas da Agcom é importante para entender como o mercado de influencers se integrará de forma sustentável ao tecido econômico do país.