Inovação de Taiwan em destaque na Milano Design Week: soluções sustentáveis e tecnologia aplicada ao espaço urbano

Casa Taiwan na Milano Design Week exibe tecnologia e design taiwaneses em economia circular, vidro solar, energia e materiais sustentáveis.

Inovação de Taiwan em destaque na Milano Design Week: soluções sustentáveis e tecnologia aplicada ao espaço urbano

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Inovação de Taiwan em destaque na Milano Design Week: soluções sustentáveis e tecnologia aplicada ao espaço urbano

Em Milano, a iniciativa Casa Taiwan reúne nove empresas e instituições taiwanesas para demonstrar como a inovação industrial e o design podem operar como camadas de infraestrutura para cidades mais sustentáveis. A mostra apresenta projetos que transitam entre economia circular, tecnologia de materiais e integração energética — temas que funcionam como alicerces digitais e físicos do habitat contemporâneo.

A Taiwan Sugar Corporation (Taisugar), fundada em 1946, reorientou-se da indústria açucareira para um modelo baseado em economia circular e energia sustentável. Seu portfólio atual incorpora agricultura, biotecnologia e desenvolvimento habitacional, valorizando recursos locais e territórios como componentes do sistema — uma abordagem que transforma resíduos e subprodutos em fluxos de valor.

O Fengyu Group, criado em 1986, conecta construção, engenharia e design para projetar ambientes de alta qualidade e baixa pegada ambiental. Sua atuação inclui tanto infraestrutura pública quanto empreendimentos tecnológicos, com foco em precisão estrutural e seleção de materiais. Um exemplo de reconhecimento é o projeto NTU Humanities Hall, agraciado com o prêmio ACI 2025, que é citado como case de integração entre técnica construtiva e valor cultural.

O Bio-architecture Formosana (BaF), desde 1999, aplica princípios da economia circular à arquitetura, promovendo estratégias de baixas emissões, reuso de materiais e flexibilidade espacial. Em Milão, o estúdio apresenta desdobramentos de projetos que reduzem impacto ambiental e entregam benefícios sociais e econômicos — uma abordagem que trata o espaço construído como infraestrutura viva.

O departamento de Design da National Taiwan University of Science and Technology (NTUST) expõe trabalhos que cruzam teoria e prática. O projeto Glowrise, assinado por Kai-Xiang Yang e Shiang-Ting Huang, parte da cultura aborígene Puyuma para transformar o fogo ritual em elementos de luz, gerando um diálogo entre memória cultural e design contemporâneo.

A Hony Glass Technology, especializada em processamento avançado do vidro desde 1978, apresenta aplicações para displays, touch panels e investe em vidro fotovoltaico. Em parceria com NTUST e T12lab, explora o potencial do vidro solar no design sustentável, desenhando superfícies que agregam geração energética ao envelope arquitetônico.

Techmation, com a subsidiária italiana EEI, leva soluções de eletrônica de potência e sistemas energéticos para integração em edifícios e infraestruturas. Essas tecnologias atuam como o sistema nervoso das cidades, permitindo a coordenação entre geração renovável e demanda em camadas urbanas diversas.

Wynist transforma resíduos têxteis, marinhos e agrícolas em painéis para interiores e exposições, usando upcycling e parcerias com designers italianos. O trabalho reconfigura o valor dos materiais, convertendo fluxos de descarte em componentes estéticos e funcionais.

Lotos, marca do grupo Techome, desenvolve revestimentos e superfícies minerais a partir de recursos locais de Taiwan. A instalação luminosa inspirada no coral e a participação na performance “Light Theater” de Casa Taiwan ilustram como pesquisa e tecnologia podem produzir experiências sensoriais com base em materiais endógenos.

Por fim, a Yatung ready-mixed concrete apresenta suas soluções para concreto usinado, voltadas à construção eficiente e à redução de impacto ambiental, contribuindo para a cadeia de suprimentos da construção sustentável.

O conjunto de expositores mostra que a inovação made in Taiwan não é apenas produto, mas arquitetura de sistemas: materiais que geram energia, processos que reinserem resíduos na economia e tecnologias que fazem a ponte entre campo, fábrica e cidade. Em termos de infraestrutura urbana, essas iniciativas representam camadas complementares — do solo ao vidro fotovoltaico, do painel reciclado ao controle eletrônico de energia — que, juntas, configuram o fluxo de dados e de recursos necessário para um futuro urbano mais resiliente.