Manuela Gatto (ZHA): Como a "New Tashkent" atrai investimentos e modela os mercados da Ásia Central
Manuela Gatto (ZHA) analisa a evolução do Uzbequistão e o papel do projeto New Tashkent na atração de investimentos e na estratégia cultural da Ásia Central.
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Manuela Gatto (ZHA): Como a "New Tashkent" atrai investimentos e modela os mercados da Ásia Central
Por Riccardo Neri — Reportagem a partir do Tashkent International Investment Forum 2026
Em entrevista exclusiva durante o Tashkent International Investment Forum 2026, Manuela Gatto, diretora do emblemático estúdio ZHA com sede em Londres, descreveu o avanço organizado do Uzbequistão e a atratividade crescente da região centro-asiática para fluxos internacionais de capital e projetos culturais.
Segundo Gatto, a transformação observada entre 2024 e 2026 não é resultado de improvisação: existe um plano de desenvolvimento traçado há quatro anos que está a ser rigorosamente seguido. O projeto conhecido como New Tashkent — ou Nova Tashkent — aparece como um modelo replicável, com escala moderada, foco em sustentabilidade e ênfase em equipamentos culturais e universitários. "Não há construções mastodônticas", disse ela, destacando que a cidade cresce com edifícios de dimensão contida e um projeto urbano coerente.
Do ponto de vista financeiro, o ecossistema é atraente. Manuela Gatto citou interesse contínuo e crescente de grandes instituições como o IBRD (Banco Mundial), o EBRD (European Bank for Reconstruction and Development) e até investimentos do governo britânico. Esse capital formaliza a ideia de que a Ásia Central está a tornar‑se um nó relevante no mapa de investimentos globais, não apenas por recursos naturais, mas pelo desenvolvimento urbano e cultural.
Quanto à presença da ZHA na região, Gatto recordou a atuação contínua desde 2008, com trabalhos em Baku que remontam a projetos iniciados pela própria Zaha Hadid. A experiência construída na China desde 2003 — e mais diretamente por ela desde 2010 — fornece um repertório técnico e estratégico: "vimos toda a trajetória do desenvolvimento urbano chinês, com lições que agora aplicamos aqui". Esse aprendizado é tratado como um alicerce prático, uma espécie de know‑how que permite adaptar soluções à escala e ao contexto local.
Além da capital, Gatto mencionou a presença de projetos em países vizinhos — Geórgia, Azerbaijão, Cazaquistão — e potenciais iniciativas no Quirguistão, evidenciando uma estratégia regional. Ela realça especialmente os investimentos em infraestruturas culturais, universidades e espaços públicos: setores que, na visão da diretora, consolidam a base social e intelectual das novas cidades, mais do que apenas embelezar fachadas.
Do ponto de vista de quem observa os sistemas urbanos como camadas interligadas — redes físicas, fluxos financeiros, instituições culturais — o que ocorre em Tashkent é a montagem conscienciosa de um novo nó urbano. É como fortalecer o sistema nervoso das cidades: não se trata apenas de ligar energia e dados, mas de desenhar caminhos confiáveis para o conhecimento, a educação e a sustentabilidade.
Em síntese, a leitura de Manuela Gatto é técnica e pragmática: o Uzbequistão de 2026 mostra um plano bem concebido, apoiado por financiadores internacionais e enriquecido por lições transversais vindas de dois ciclos de urbanização — o chinês e agora o centro‑asiático. O que se desenha é uma arquitetura de oportunidades, onde a escala calibrada e a aposta cultural funcionam como alicerces para um crescimento mais robusto e articulado.
Entrevista original conduzida por IGDI durante o Tashkent International Investment Forum. Reportagem traduzida e analisada por Riccardo Neri, Espresso Italia.