Por que as tecnologias europeias atraem cada vez mais as empresas da UE, diz WIIT
Capozzi (WIIT) afirma que tecnologias com matriz europeia ganham importância para empresas da UE por maior controle e segurança.
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Por que as tecnologias europeias atraem cada vez mais as empresas da UE, diz WIIT
Por Riccardo Neri — Em um panorama marcado por incertezas geopolíticas, o debate sobre o papel do cloud e da soberania tecnológica ganhou novo fôlego no Forum Information Technology 2026, realizado hoje em Milão. Davide Capozzi, Innovation & Solution Architecture Director da WIIT, traçou um diagnóstico pragmático: as empresas europeias estão reavaliando suas escolhas tecnológicas e olhando com maior interesse para soluções com uma matriz europeia.
A WIIT é um provedor de cloud que atua na evolução tecnológica de organizações, e Capozzi lembrou que o cloud nasceu há cerca de vinte anos. Desde então, a nuvem atuou como um alicerce digital que democratizou o acesso a tecnologias, permitindo que empresas de porte médio e pequeno adotassem capacidades que antes exigiam investimentos proibitivos. No entanto, esse mesmo processo que ampliou o acesso agora enfrenta um segundo momento: a necessidade de controlar melhor a infraestrutura e reduzir riscos emergentes.
"Em um momento de instabilidade e incerteza geopolítica, a necessidade mais sentida nas organizações é inovar ainda mais", afirmou Capozzi. As tecnologias que eram amplamente aceitas "até ontem" já começam a perder atratividade por motivos claros: diminuição do controle, aumento do risco e exigências regulatórias e de soberania que ganham importância nas decisões estratégicas das empresas.
Do meu ponto de vista técnico, essa preferência crescente por soluções com raízes europeias não é apenas uma questão de regionalismo: é uma resposta prática às imperfeições do sistema nervoso digital que conecta empresas, mercados e serviços públicos. Quando as camadas de infraestrutura e dados não oferecem sinais de controle e previsibilidade, os gestores buscam alternativas que prometam maior governança, conformidade e resiliência.
O argumento de Capozzi serve como um indicador para arquitetos de tecnologia e gestores: a escolha por plataformas europeias tende a reduzir pontos de fricção operacionais — desde requisitos legais de proteção de dados até cadeias de confiança que sustentam serviços críticos. Em termos de arquitetura, trata-se de priorizar camadas de inteligência e operações que possam ser auditadas e controladas dentro de uma jurisdição com normas conhecidas.
Além disso, a evolução do mercado sugere que a inovação continuará a ser distribuída em múltiplas camadas — provedores de infraestrutura, serviços gerenciados, plataformas de dados e soluções de segurança — todas precisando se integrar como se fossem elementos de uma mesma infraestrutura urbana, coordenados para manter o fluxo de dados eficiente e seguro.
Em suma, a mensagem da apresentação de Capozzi no Fórum é clara: em um contexto onde o controle sobre dados e operações se tornou um requisito estratégico, as tecnologias europeias emergem como alternativas mais coerentes para as empresas da UE. Não por um retorno ao localismo, mas por uma busca racional por governança, conformidade e resiliência — os verdadeiros pilares da modernidade digital.