World Press Photo 2026: Olhos sobre o mundo — a italiana Chantal Pinzi entre os premiados
World Press Photo 2026 destaca imagens de 2025; italiana Chantal Pinzi é premiada por projeto sobre mulheres na tbourida no Marrocos.
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World Press Photo 2026: Olhos sobre o mundo — a italiana Chantal Pinzi entre os premiados
As imagens finalistas do World Press Photo 2026 traçam um mapa visual dos eventos que marcaram 2025, servindo como sensores do que ocorreu no plano político, climático e social. O tradicional concurso de fotojornalismo, ativo desde 1955, continua a funcionar como um dos alicerces digitais da memória coletiva: cada foto é um nó no sistema nervoso que conecta público, imprensa e políticas públicas.
Entre os projetos premiados está o trabalho da italiana Chantal Pinzi, intitulado Farīsāt: Gunpowder’s Daughters, que documenta as mulheres no tbourida — a tradição equestre do Marrocos reconhecida pela UNESCO e historicamente reservada a cavaleiros masculinos. As fotografias mostram a transição dessa prática: hoje existem cerca de sete trupes femininas entre aproximadamente trezentas formações. Essas imagens não apenas registram episódios, mas mapeiam a lenta reconfiguração dos espaços culturais e do reconhecimento feminino no país.
No centro do projeto, a retratada Ghita Jhiate surge segurando as rédeas do seu cavalo, figura que sintetiza a passagem do proibido ao permitido. Depois de um longo período em que o pai lhe negou a participação, Ghita realizou em 2025 o sonho de cavalgar ao lado da pioneira Zahia Aboulait — um gesto que funciona como um pequeno reajuste nas camadas de memória cultural do Marrocos.
A edição de 2026 recebeu 57.376 fotografias enviadas por 3.747 fotógrafos de 141 países. Do total de 42 prêmios concedidos, 31 foram atribuídos a autores originários das regiões que documentaram, o que reforça a importância da experiência local como conectivo na narrativa global. Os projetos selecionados integrarão a exposição itinerante do World Press Photo, que deverá passar por mais de 60 cidades ao redor do mundo, distribuindo esses registros para públicos diversos.
As imagens premiadas abrangem cenas de alto impacto: um homem diante de um condomínio em chamas em Hong Kong; uma multidão escalando um caminhão de ajuda na pausa de operações militares israelenses na Faixa de Gaza; uma agente da polícia em Sydney, tomada pela emoção junto aos corpos de duas vítimas do ataque antissemita de Bondi Beach. A crise climática aparece com chamas que devastaram Los Angeles e a Galícia, enquanto a fotografia de um urso polar alimentando-se da carcaça de um morsa nas águas árticas expõe, em termos cruéis, a fragilidade dos ecossistemas.
Há também imagens que aliviam o registro, como o sorriso do panda gigante capturado por uma fototrampa em seu habitat na China. Entre os projetos de maior relevância jornalística, destaca-se o trabalho de David Guttenfelder para o New York Times, que documenta como a invasão russa da Ucrânia tem redefinido o combate moderno, incluindo o uso de drones e o impacto sobre civis. E as mobilizações juvenis não ficam de fora: manifestantes da geração Z no Madagascar aparecem brandindo símbolos de protesto que circulam globalmente.
O prêmio principal, World Press Photo of the Year, será anunciado em 23 de abril em Amsterdã. Como analista focado em infraestrutura informativa, vejo nessas imagens não só relatos pontuais, mas camadas de dados visuais que moldam políticas, memórias e percepções públicas — a fotografia como uma infraestrutura velada que influencia decisões e redes de atenção.