Calor é uma 'taxa' que pesa até 12 bilhões de euros por ano, alerta Confesercenti
Confesercenti: o calor intenso custa à Itália entre 6 e 12 bilhões de euros por ano, afetando famílias, empresas e produtividade.
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Calor é uma 'taxa' que pesa até 12 bilhões de euros por ano, alerta Confesercenti
Por Alessandro Vittorio Romano — A Itália vive um verão que não é apenas calor no termômetro, mas uma mudança profunda na respiração da cidade e no bolso das famílias e empresas. Segundo um estudo do Confesercenti, conviver anualmente com 30 a 60 dias de calor intenso pode custar à economia italiana entre 6 e 12 bilhões de euros, o equivalente a cerca de 0,2–0,4% do PIB. Essa soma surge da junção de maiores custos energéticos, perda de produtividade, investimentos forçados e faturamento perdido nos setores mais expostos.
O relatório do Ufficio economico do Confesercenti chega em um momento de pico térmico: 16 cidades já estão sob o chamado 'bollino rosso' emitido pelo Ministério da Saúde. Não é apenas uma estatística; é a paisagem do dia a dia sendo redesenhada pelo calor — mercados vazios ao meio-dia, sobremesas e cafés migrando para gigantes climatizados, e ruas que parecem respirar mais lentamente sob o sol.
No detalhe dos números, a maior fatia corresponde aos investimentos obrigatórios — desde sistemas de climatização mais eficientes até painéis fotovoltaicos, sombreamentos e a requalificação energética dos imóveis — estimados entre 2 e 4 bilhões. Em seguida vêm os custos com energia, avaliados entre 2 e 3 bilhões, pelo uso prolongado de refrigeração. A perda de produtividade do trabalho durante dias de calor intenso é projetada entre 1,5 e 3 bilhões, enquanto o faturamento perdido em setores como construção, agricultura, logística e comércio ambulante chega a 1–2 bilhões.
Para as famílias, o calor já se transformou em despesa fixa: atualmente, gastam-se em média cerca de 150 euros a mais por ano com refrigeração, um valor que pode subir para 400 euros nos próximos anos. Há também os custos do consumo de água, a compra e substituição de condicionadores e as despesas de saúde relacionadas ao stress térmico. As microempresas, por sua vez, enfrentam um dilema de capital — um bar ou uma loja que hoje desembolsa 3.000 euros por ano com refrigeração pode ver essa conta subir para 5.000–6.000 euros, além do investimento necessário para tornar o imóvel energeticamente eficiente.
Quando o mercúrio se mantém acima dos 35 °C, a produtividade cai: aumentam erros, faltas por doença e diminui a capacidade de esforço físico. Os setores mais vulneráveis são a construção civil, a agricultura, a logística, o comércio ambulante, as manutenções e o turismo ao ar livre — desde mercados a bares com dehors. Com mais dias de alto estresse térmico, o país arrisca perder milhares de horas de trabalho a cada ano, afetando a economia e ampliando desigualdades: o tal do “calor como uma nova taxa climática” pesa mais sobre os rendimentos médios-baixos e sobre os idosos.
Como observador da paisagem urbana e do bem-estar cotidiano, eu vejo nesse fenômeno uma chamada para colher hábitos mais resilientes. Requalificar edifícios, repensar jornadas de trabalho, investir em sombreamento e expandir espaços verdes são medidas que podem suavizar a estação — como plantar árvores que ofereçam sombra para a cidade respirar. Enquanto isso, a conta continua a chegar: o calor, longe de ser apenas desconforto, transforma-se em custos concretos que exigem políticas públicas e uma colheita de decisões privadas mais sábias.