Costas italianas à deriva: como o Sul foi mais atingido pela erosão e eventos extremos (2010-2026)
Relatório Legambiente: entre 2010-2026, 48% das localidades costeiras italianas foram atingidas por eventos extremos que aceleram a erosão das praias.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Costas italianas à deriva: como o Sul foi mais atingido pela erosão e eventos extremos (2010-2026)
Sou Alessandro Vittorio Romano, e observo as paisagens como quem lê as estações do corpo humano: a crise climática tem acelerado o pulso das nossas costas. O novo relatório da Legambiente confirma um quadro preocupante: entre 2010 e 2026, 308 de 643 localidades costeiras (48%) foram atingidas por um total de 1.073 eventos meteorológicos extremos, responsáveis por amplificar a erosão das praias e a perda de território litorâneo.
Os números, frios como pedras à beira-mar, revelam uma tendência contínua: em 2025 a porcentagem de municípios costeiros afetados era 45,4% com 1.028 eventos; em 2024 estava em 41,2% com 885 ocorrências; e em 2023 era 37,3% com 780 eventos. É um crescendo que soa como maré que não recua.
Geograficamente, o Sul da Itália aparece como a região mais castigada. A Sicília somou 232 eventos extremos, a Puglia 136 e a Calabria 104, ocupando as primeiras colocações. Atrás delas, a Ligúria registra 99, o Lácio 88 e a Campânia 88. Entre os centros urbanos, Genova lidera com 50 episódios, seguida por Bari (44), Palermo (38), Agrigento (35) e Napoli (27). O litoral romano, representado por Ostia, figura em 11º lugar com 12 eventos; Cesenatico, na Emilia-Romagna, está em 14º.
Para colocar em perspectiva o que se perde na areia: segundo o ISPRA, mais de 40 milhões de metros quadrados de praias desapareceram nas últimas cinco décadas. É como se parte da nossa memória litorânea tivesse sido soterrada pela maré — e com ela os espaços de convívio, o turismo de base local e a biodiversidade costeira.
A ONG aponta para a ausência de um plano nacional de adaptação costeira à crise climática e pede medidas urgentes. Entre as prioridades defendidas estão a aprovação de uma lei contra o consumo de solo, ações de renaturalização das costas — reconstrução de faixas dunares e recuperação de zonas húmidas e paludosas —, a garantia do direito à fruição livre das praias, e a interrupção do cimento sobre os litorais.
Na comparação com a Europa, países como Espanha, Reino Unido e Bélgica são citados como referência pela gestão costeira e proteção contra inundações. A lição é clara: enfrentar a erosão e os eventos extremos exige governança, recursos e tempo, aquele tempo interno que cada comunidade precisa para ajustar-se às novas marés.
Giorgio Zampetti, diretor geral da Legambiente, resume a urgência: é preciso aplicar planos de adaptação e ferramentas de governança que reduzam o risco para pessoas, habitações e infraestruturas, e que permitam programar intervenções que melhorem a gestão do território. Como quem cuida de um jardim costeiro, reclamamos ações que respeitem ciclos naturais e protejam as raízes do bem-estar coletivo.
Este é um chamado para políticas que não apenas tapem buracos na areia, mas que recoloquem o litoral no seu ritmo: onde a cidade respira, a maré circula e a paisagem volta a ser um compasso de vida.