Relatório Agcom 2025: queda da audiência televisiva e avanço da hiperconexão residencial na Itália
Relatório Agcom 2025: queda da audiência de TV e avanço da FTTH e hiperconexão residencial na Itália; dados e implicações técnicas.
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Relatório Agcom 2025: queda da audiência televisiva e avanço da hiperconexão residencial na Itália
Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes. O Relatório Agcom 2025 traça um retrato técnico da transformação das comunicações na Itália, com dados consolidados referentes a dezembro de 2025. A fotografia revela uma continuidade na migração tecnológica das redes fixas, expansão das ofertas de maior velocidade e uma redução contínua da plateia da televisão tradicional.
Segundo o Observatório sulle Comunicazioni da Agcom, o número total de acessos à rede fixa em dezembro de 2025 manteve-se virtualmente estável em relação ao trimestre e ao ano anteriores, com 20,53 milhões de linhas. No detalhamento das tecnologias, observa-se uma redução das linhas em cobre (rame) em cerca de 150 mil unidades no trimestre e quase 620 mil no ano; desde dezembro de 2021 a queda supera 3,2 milhões de acessos.
As linhas FTTC continuam a representar parcela significativa da base de clientes, mesmo em ligeira retração anual, totalizando 40,5% dos acessos. Em sentido contrário, as acessos FTTH seguem em forte expansão: aumentaram pouco mais de 266 mil no trimestre e 1,15 milhão em 12 meses, e somam um incremento de quase 4,26 milhões desde dezembro de 2021. Em dezembro de 2025 as linhas FTTH representam 34,1% dos acessos totais.
Também cresce o número de conexões Fixed Wireless Access, que subiram cerca de 313 mil unidades em um ano, alcançando aproximadamente 2,68 milhões de acessos no fim de 2025. No conjunto, as linhas de banda larga e ultrabanda são estimadas em 19,38 milhões de unidades, com um ganho de 121 mil linhas em relação ao trimestre anterior.
As linhas DSL seguem em queda: -324 mil unidades no ano e -76 mil no trimestre. Já as linhas ofertadas por outras tecnologias cresceram cerca de 640 mil em 12 meses, totalizando um volume estimado de 18,3 milhões de linhas em dezembro de 2025. Essas dinâmicas traduzem um aumento das capacidades comerciais anunciadas (velocidade) e do consumo de dados pelos usuários.
No segmento móvel, o levantamento de sim ativas mostra a liderança da aliança Fastweb+Vodafone com 29,8% de participação, seguida por TIM (25,5%), Wind Tre (24,2%), Iliad (11,4%), PostePay (4,0%), Coop Voce (2,1%) e Lyca Mobile (1,0%).
O setor televisivo registra queda consistente de audiência. Em 2025 os ascolti no dia médio recuaram em relação ao ano anterior: no prime time (20:30–22:30) houve -2,5%, e no conjunto do dia -2,8%. Comparando 2025 com 2021, a redução é ainda mais expressiva: no prime time a perda foi de 3,2 milhões de telespectadores (-14,5%) e, no total do dia, 1,3 milhão (-13,7%). Para os principais canais generalistas agrupados (Rai 1, Rai 2, Rai 3, Rete 4, Canale 5, Italia 1, La7, TV8 e Nove), o prime time registrou pouco mais de 13,2 milhões de telespectadores, conforme o recorte do Observatório.
O quadro esboçado pelo relatório combina indicadores de transição tecnológica — expansão do FTTH, aumento das ofertas ultrabroadband e crescimento do Fixed Wireless Access — com uma mudança de hábitos de consumo de mídia, marcada pela erosão contínua dos públicos da televisão tradicional. A análise técnica do órgão aponta para uma convergência entre maior capacidade de rede e maior demanda por dados, ao mesmo tempo em que os canais lineares enfrentam perda de audiência consistente ao longo dos últimos quatro anos.
Apuração in loco não foi aplicável; os números aqui reportados decorrem do cruzamento de dados oficiais disponibilizados pela Agcom no Observatório sulle Comunicazioni. A realidade traduzida é de um mercado em aceleração tecnológica e reajuste do consumo de conteúdo.