Adolescente de 17 anos é preso em Perugia por planejar massacre em escola inspirado em Columbine
Adolescente de 17 anos preso em Perugia por planejar massacre em escola; investigações apontam material para produção de armas e ligação a grupo neonazista.
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Adolescente de 17 anos é preso em Perugia por planejar massacre em escola inspirado em Columbine
Por Giulliano Martini — A investigação coordenada pela Procura para os Menores de L'Aquila e conduzida pelo ROS dos Carabinieri resultou na prisão, nesta manhã, de um jovem de 17 anos, natural de Pescara e domiciliado na província de Perugia. O adolescente foi detido sob acusação de terrorismo e, por ordem do juiz de menores de L'Aquila, transferido para um instituto penal juvenil.
Segundo as apurações, o menor estaria a elaborar um plano para perpetrar um massacre em uma escola, seguido do próprio suicídio, tomando como referência os atentados da Columbine High School ocorridos em 20 de abril de 1999. As evidências reunidas pelos investigadores apontam para uma intenção deliberada e documentada, com material de apoio e instruções técnicas.
Entre as imputações que recaem sobre o jovem estão ainda a propaganda e a incitação à prática de crimes motivados por discriminação racial, étnica e religiosa, e a detenção de material com finalidades terroristas. A operação permitiu apreender manuais e documentos que descrevem passo a passo a fabricação de artefatos explosivos e de armas de fogo.
O material confiscado inclui informações técnicas sobre substâncias químicas e agentes bacteriológicos perigosos, além de vademecuns para o sabotamento de serviços públicos essenciais — todo o conteúdo inserido em uma clara ótica de finalidade terrorista.
Chamou atenção dos peritos, em termos de periculosidade, a existência de instruções para obtenção de armamentos, para a sua reprodução por meio de impressão 3D e para a preparação do TATP (peróxido de acetona), explosivo improvisado conhecido pela facilidade de síntese e já utilizado em atentados como os de Bruxelas e Paris, apelidado em relatórios anteriores de "mãe do satanás".
As investigações também documentaram contatos entre o menor e os administradores do canal Telegram denominado "Werwolf Division", que movimenta conteúdos ligados ao neonazismo, ao aceleracionismo e à ideologia de supremacia ariana. Nesse ecossistema virtual, figuras como Brenton Tarrant (atentados em Christchurch, 2019) e Anders Behring Breivik (Oslo e Utøya, 2011) são reiteradamente glorificadas como modelos a ser emulados.
No âmbito da operação do ROS, foram cumpridas sete perícias e buscas — locais, pessoais e informáticas — envolvendo outros sete menores nas províncias de Teramo, Perugia, Pescara, Bolonha e Arezzo. Todos são investigados por condutas que se enquadram em propaganda e incitação ao crime por motivos de discriminação racial, étnica, nacional ou religiosa.
Os jovens investigados integravam um ecossistema virtual transnacional composto por grupos e canais de matriz neonazista e supremacista, segundo apontam os autos. A investigação, iniciada em outubro de 2025 pela Seção Anticrime de L'Aquila, tem ligação com precedentes trabalhos de antiterrorismo (investigação "IMPERIUM" encerrada em julho de 2025) e foi aprofundada com cruzamento de fontes e análise forense de dispositivos eletrônicos.
Em linha com a rotina de apuração in loco e cruzamento de fontes que orienta esta cobertura, os fatos aqui relatados foram extraídos dos comunicados das autoridades judiciais e das forças de segurança envolvidas. Permanecem em curso diligências complementares para esclarecer o grau de exposição de terceiros e possíveis redes de apoio.
Registro final: o caso ressalta a persistente convergência entre radicalização on-line e a capacidade técnica de transformar conteúdo ideológico em atos de violência concreta, exigindo vigilância continuada das instituições e das unidades especializadas em antiterrorismo.