Promotoria descreve “atrocidades” na vila de Altavilla Milicia; pedido de 30 anos para Giovanni Barreca

Promotoria descreve torturas e pede 30 anos para Giovanni Barreca pelo massacre de Altavilla Milicia. Vida perpétua pedida para os co-réus.

Promotoria descreve “atrocidades” na vila de Altavilla Milicia; pedido de 30 anos para Giovanni Barreca

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Promotoria descreve “atrocidades” na vila de Altavilla Milicia; pedido de 30 anos para Giovanni Barreca

Em sessão na Corte d'assise de Palermo, presidida por Vincenzo Terranova, o procurador Manfredi Lanza fez nesta fase da requisitória um relato detalhado das evidências colhidas no inquérito sobre a strage de Altavilla Milicia, ocorrida em fevereiro de 2024. Segundo o magistrado, naquele imóvel foram praticadas verdadeiras atrocidades e torturas contra as vítimas: Antonella Salamone e os filhos Kevin, de 17 anos, e Emanuel, de 5 anos.

O procurador Lanza, coordenador das investigações, descreveu à Corte as agressões físicas e os rituais religiosos que teriam antecedido os homicídios. "Em quella villetta sono state perpetrate delle sevizie nei confronti delle tre vittime. Sono state commesse delle atrocità", declarou o representante do Ministério Público, conforme trecho citado durante a audiência.

De acordo com a acusação, o núcleo envolvido incluía o marido da vítima, Giovanni Barreca, e o casal Sabrina Fina e Massimo Carandente, todos ligados a uma comunidade evangélica. As práticas relatadas incluíam orações em grupo e interrogatórios de teor religioso: os investigados forçavam a mulher e as crianças a beber um café amargo e faziam perguntas de cunho fanático. A filha maior, Miriam, contou aos investigadores sobre esses "interrogatórios".

Segundo a reconstituição feita pelo Ministério Público, Antonella foi espancada com chutes e socos até provocar a morte, que teria ocorrido na cozinha, e em sequência o corpo foi incendiado. O menor Emanuel teria sofrido agressões com objetos como o atizador da lareira e um secador de cabelo. Lanza afirmou ainda que, em meio às torturas, uma das vítimas mordeu a perna de Sabrina Fina — um vestígio que os peritos encontraram no polpaccio da co-ré.

“Naquela vila de Altavilla Milicia consumou-se uma verdadeira matança”, disse o procurador, ao narrar o que a investigação identificou no imóvel na periferia do município palermitano. O papel de cada réu foi detalhado na requisitória: Barreca, descrito como portador de quadro de semincapacidade mental segundo a acusação, receberia um tratamento penal distinto dos coimputados.

Ao final da sessão, a Procura de Termini Imerese pediu a condenação de 30 anos de prisão para o pedreiro Giovanni Barreca. Para Sabrina Fina e Massimo Carandente a promotoria requereu ergastolo (cadeia perpétua), por entender que ambos tiveram papel ativo e consciente nos crimes. A diferença nas pedidas de pena decorre, segundo o MP, da avaliação sobre o estado mental de Barreca.

Após a requisitória do procurador Lanza, iniciaram-se as alegações das defesas. A audiência foi suspensa e reagendada para 10 de junho. A jovem Miriam, então menor na época dos fatos, havia sido inicialmente condenada em primeira instância a 12 anos e oito meses por concurso na matança; em apelação, entretanto, foi absolvida por incapacidade de entender e de querer.

Esta cobertura baseia-se no cruzamento de depoimentos, laudos periciais e na leitura integral da requisitória apresentada em juízo — apuração in loco e verificação técnica conduzidas pela redação.