Procura de Ancona aponta homicídio doloso, não feminicídio, no caso de Luigia Fortunato em Loreto

Procura de Ancona enquadra morte de Luigia Fortunato como homicídio doloso com arma, não feminicídio; Khemaies segue preso e autópsia está marcada.

Procura de Ancona aponta homicídio doloso, não feminicídio, no caso de Luigia Fortunato em Loreto

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Procura de Ancona aponta homicídio doloso, não feminicídio, no caso de Luigia Fortunato em Loreto

Por Giulliano Martini. A investigação sobre a morte de Luigia Fortunato, assassinada na noite de quinta-feira em Loreto, segue com definição provisória do enquadramento penal: para a procura de Ancona o crime é tratado como homicídio doloso cometido com arma, e não como feminicídio. A distinção é jurídica e tem impacto direto na pena possível e na leitura da motivação do crime.

O substituto procurador Rosario Lioniello optou, até o momento, pela imputação de omicídio volontario (homicídio doloso), cuja pena-base é de 21 anos, com aumento de um terço se o fato foi praticado com uso de arma. Pelo contrário, o dispositivo introduzido em dezembro do ano passado que qualifica o crime como feminicídio prevê, em tese, a pena de prisão perpétua quando o homicídio é reconhecido como motivado por ódio, discriminação, prevaricação ou por lógica de controle e posse. O procurador, segundo fontes do inquérito, não identificou até agora elementos que apontem categoricamente para essa matriz de gênero.

O advogado de defesa de Sami Khemaies, Simone Matraxia, explicou que a escolha do Ministério Público decorre da ausência, segundo a acusação, de sinais de "esercizio di prevaricazione" ou de tentativa de posse sobre a mulher. Conforme a versão apresentada em sede policial e repetida em partes à autoridade judicial, o acusado afirmou ter sido ameaçado pela esposa com uma faca durante a discussão e que, após desarmá-la, acabou por golpeá-la. O réu declarou ainda a intenção de colaborar com as investigações.

Do lado da família de Luigia Fortunato, a advogada Cristina Perozzi pediu cautela: "É prematuro formulare ipotesi di reato. Le autorità stanno indagando. Dobbiamo lasciare lavorare magistratura e inquirenti", afirmou, segundo o acompanhamento processual. O compromisso das apurações — apuração in loco e cruzamento de fontes — permanece o eixo do trabalho investigativo.

O juiz per le indagini preliminari de Ancona, Carlo Cimini, não confirmou o fermo por entender não haver risco de fuga, mas decretou a custódia cautelar em prisão preventiva para o homem de 39 anos, acusado de homicídio doloso agravado. Durante audiência de convalidação, Khemaies participou por videoconferência a partir do carcere Montacuto. Está prevista inspeção corporal para verificar lesões no dedo da mão direita do acusado, mencionadas por ele como consequência do confronto.

A autópsia do corpo de Luigia Fortunato foi marcada para terça-feira; o exame deverá fornecer elementos balísticos e de dinâmica das feridas que orientarão a reconstrução dos fatos. Conforme apurado até agora, o casal vivia separado em casa há algum tempo. A escalada de tensão antes do homicídio teria origem em um episódio ocorrido num centro estivo do filho do casal, quando o homem teve uma reação violenta contra outro genitore. Da discussão no lar às múltiplas perfurações sofridas por Fortunato — e a presença da arma no local — haverá, segundo fontes, verificação rigorosa de cada declaração e vestígio coletado.

Os fatos brutos, as imagens processuais e os laudos serão submetidos ao crivo técnico da magistratura. A tipificação criminal poderá ainda ser modificada no decorrer das investigações, dependendo das evidências que emergirem do exame autópsico e das diligências complementares.