Centenas se mobilizam em Cala Finanza contra resort próximo à ilha de Tavolara

Centenas protestam em Cala Finanza contra resort da Tavolara Bay; decisão do Tar Sardegna sobre ZES é esperada para 8 de julho.

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Centenas se mobilizam em Cala Finanza contra resort próximo à ilha de Tavolara

Loiri Porto San Paolo (Gallura) — Decenas de manifestantes ocuparam desde a manhã o espaço de estacionamento de Cala Finanza, na costa nordeste da Sardenha, em protesto contra o projeto de construção de um resort de luxo diante da ilha de Tavolara. A mobilização, convocada por redes sociais e veículos locais, reuniu centenas de pessoas vindas de várias partes da ilha e também da Toscana e do continente.

Em várias imagens registradas no local, são visíveis bandeiras dos Quatro Moros e cartazes com a frase em italiano "Cala Finanza patrimonio di tutti", lema da mobilização. O centro da controvérsia é a iniciativa da empresa ítalo-brasileira Tavolara Bay srl, vinculada ao grupo Jhsf, que pretende erguer um beach club cinco estrelas com a chamada Villa Joy no trecho conhecido como Punta la Greca e arredores.

Em apuração in loco e cruzamento de fontes, os manifestantes justificaram a presença com argumentos ligados à defesa do território e ao combate à especulação. "Vim da província de Mantova porque acreditamos que Punta la Greca e Cala Finanza pertencem a todos, à humanidade. Venham ver e entenderão por que não se deve tocar nesse lugar", disse um participante.

Outro manifestante, vindo de Florença, afirmou: "Estamos aqui para salvar este pedaço da Sardenha e, de certo modo, o restante da Itália — parece que estão cometendo escândalos por toda parte. Como toscano, espero que um dia em Capraia alguém diga: aqui não construiremos um resort". Os organizadores anunciaram que as ações de protesto devem continuar enquanto o processo administrativo e jurídico estiver em andamento.

O movimento independentista Liberu, por meio de Pier Franco Devias, destacou a defesa do direito dos habitantes locais: "Viemos para defender o direito dos sardos de decidirem sobre a sua terra. Não concordamos com imposições de multinacionais nem com acordos verticalizados com o Estado italiano. Esta é apenas uma etapa de um amplo processo de oposição popular contra a especulação imobiliária e a retirada de terras da nossa gente".

No plano institucional, o conselho municipal de Loiri Porto San Paolo revogou ontem a deliberação que havia reclassificado a área de Cala Finanza, uma decisão que altera o quadro administrativo do projeto. Paralelamente, aguarda-se o pronunciamento do Tar Sardegna sobre o recurso apresentado pela Região e pela associação ambientalista Grig contra a tramitação da Zes aprovada pelo governo, instrumento que havia sido invocado para facilitar a iniciativa. A sentença do tribunal administrativo está prevista para 8 de julho.

O caso reúne aspectos jurídicos, ambientais e políticos: a disputa envolve análise da reclassificação territorial, eventuais benefícios fiscais e autorização de uso do solo, além da pressão de opinião pública e movimentos locais. Em campo, a mobilização demonstrou capacidade de articulação inter-regional e sinalizou que a interlocução entre cidadãos, administrações locais e instâncias judiciais seguirá determinante para o desfecho.

Continuarei a acompanhar o caso com apuração direta e cruzamento de documentos oficiais e declarações, informando as decisões judiciais e administrativas assim que confirmadas.