Caso Garlasco: interceptações inéditas apontam para Andrea Sempio e sugerem possível motivo do assassinato de Chiara Poggi
Interceptações inéditas fortalecem acusação contra Andrea Sempio e sugerem possível motiva: obsessão por Chiara Poggi após vídeos íntimos com Alberto Stasi.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Caso Garlasco: interceptações inéditas apontam para Andrea Sempio e sugerem possível motivo do assassinato de Chiara Poggi
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Novas interceptações, nunca antes divulgadas, voltaram a movimentar a investigação sobre o homicídio de Chiara Poggi e reforçam a linha de acusação contra o ex‑comissionista Andrea Sempio, hoje com 38 anos, apontado pela Procura de Pavia como potencial autor do crime.
Os áudios foram captados há cerca de um ano, pouco mais de um mês após a reabertura das investigações, por uma “cimice” instalada no veículo de Sempio. A mesma técnica já havia sido empregada oito anos antes. Nas gravações, feitas no dia 14 de abril de 2025, o homem aparece falando sozinho enquanto dirige. Segundo a tese ministerial e a análise dos carabineiros, trechos desconexos e inéditos desses diálogos, combinados a outros elementos já conhecidos, reforçam a versão da acusação.
Na avaliação dos promotores, as falas indicariam um movente ligado a uma obsessão: a hipótese é que Sempio teria fixação por Chiara Poggi depois de tomar conhecimento de vídeos íntimos da vítima em que aparece com Alberto Stasi. Stasi, então com 19 anos, teria visto as imagens — visão que, segundo a investigação, teria transformado a estudante de 26 anos em objeto de persecutória obsessiva por parte de Sempio.
Trechos transcritos mostram o acusado se referindo a chamadas e a um vídeo: “ela disse ‘não quero falar com você’... eu perguntei ‘conseguimos nos ver?’... ela me desligou...”; e mais adiante: “eu trouxe o vídeo... eu tenho ele na caneta”. São frases que, para a Procura de Pavia, contradizem a versão repetida por Sempio de que nunca mantivera relações diretas com Chiara, ainda que frequentasse a casa onde ela foi morta.
Na nova fase do inquérito, os investigadores lembram também depoimentos antigos em que Sempio afirmou ter telefonado várias vezes à residência nos dias que antecederam o crime, sem se recordar de que o irmão da vítima, Marco Poggi, estava de viagem com os pais. A perícia acrescenta que a vítima teria lutado com seu agressor, elemento técnico que reaponta a violência do ocorrido.
Defesa e reações. O advogado de Sempio, Liborio Cataliotti, declarou que o cliente “considera-se em condições de explicar essas captações”. A colega de defesa, advogada Angela Taccia, argumentou que o acusado poderia estar apenas comentando informações veiculadas em programas de televisão que, desde então, cobrem exaustivamente o caso em uma espécie de cobertura contínua.
Ao ser chamado a depor, o investigado fez uso do direito de permanecer em silêncio diante do longo rol de elementos juntados pela acusação. Fontes da investigação advertem, porém, que as interceptações e os demais indícios vêm sendo avaliados no sentido de consolidar a pista que levou à reabertura das apurações — inclusive com desdobramentos que podem atingir decisões sobre a revisão do processo envolvendo Alberto Stasi.
O cenário montado pela Procuradoria de Pavia aponta para uma reconstrução do caso baseada em evidências técnicas e testemunhais agora reunidas: interceptações ambientais, expertises forenses que indicam luta e o reexame de comportamentos e contatos anteriores ao crime. A reportagem segue em acompanhamento permanente, com cruzamento de fontes institucionais e forenses para mapear os próximos passos da investigação e eventuais desdobramentos judiciais.