Caso Garlasco: nova impressão de Stasi reaparece e Sempio teria indicado a hora do crime
Nova impronta atribuída a Stasi e trecho em que Sempio indicaria a hora do crime reacendem o Caso Garlasco. Perícia e promotores reavaliam evidências.
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Caso Garlasco: nova impressão de Stasi reaparece e Sempio teria indicado a hora do crime
O Caso Garlasco volta a exibir elementos que reacendem dúvidas sobre uma investigação marcada por omissões, contradições e cortes processuais. Nas últimas peças de investigação da Procuradoria de Pavia, reaparecem dois fatos centrais: uma nova impronta atribuída a Alberto Stasi e um trecho interceptado em que Andrea Sempio indica a hora do assassinato de Chiara Poggi.
Fontes judiciais e periciais consultadas no âmbito do inquérito em curso — que retorna ao foco após anos de arquivamentos e revisões — descrevem uma tensão entre a busca pela verdade técnica e o risco de sobreposição de interpretações: cada elemento pode ser lido de modo a confirmar hipóteses divergentes. O trabalho de apuração in loco e o cruzamento de fontes revelam, porém, fatos brutos que merecem exame objetivo.
Segundo os promotores Civardi, De Stefano e Rizza, os carabinieri do Nucleo Investigativo de Milano reescutaram e re-transcreveram integralmente gravações feitas durante a primeira investigação. Em um desses solilóquios, datado de 8 de fevereiro de 2017, às 17h43, Andrea Sempio — amigo de Marco Poggi, indagado por homicídio voluntário pluriaggravado — teria mencionado explicitamente um horário: “erano sempre lì a casa... alle nove e mezza”. A menção a “nove e meia” (9h30) converge com intervalos já apontados nos autos e com laudos médicos-legais recentes, como o da professora Cattaneo.
Paralelamente, a perícia dactiloscópica trazida ao processo reacende o protagonismo de Alberto Stasi. O comandante da seção impronte do RIS de Roma, Gianpaolo Iuliano, e o dattiloscopista Nicola Caprioli identificaram uma terceira impressão do ex-namorado no “contenitore per sapone liquido” — o dispenser — atribuída ao mignolo da mão direita. Essa marca soma-se às duas impressões do anular direito localizadas pelo RIS de Parma em 2007.
As sentenças anteriores já mencionaram vestígios dactiloscópicos como um dos sete elementos que, segundo a Corte di Cassazione, eram “gravi, precisi e concordanti” contra Stasi. O novo exame sublinha que, no objeto em questão, não foram identificadas outras impressões atribuíveis e que Stasi nunca declarou tê-lo usado para lavar as mãos após o crime — um ponto factual relevante para qualquer reconstrução.
Outros laudos médicos-legais citam que Chiara Poggi teria lutado com seu agressor, informação que sustenta a hipótese de confronto físico e reforça a necessidade de reavaliar vestígios microscópicos e biológicos preservados na cena.
Entre documentos da Procuradoria de Pavia, subsiste ainda a questão se uma investigação suplementar chegou a ser instaurada nos anos seguintes ou se permaneceu apenas nos arquivos sem procedimento formal por 13 anos. A reabertura parcial do processo procura inserir cada peça na “casellina” correta, sem transferir para a narrativa elementos que ainda não foram tecnicamente validados.
Este caso permanece, portanto, um raio-x do cotidiano judiciário: fatos brutos, perícias reavaliadas e a obrigação de separar evidências verificadas de interpretações. A apuração prossegue com prioridade técnica e rigorosa, em busca de respostas que a sociedade ainda cobra com razão.