Caso Pierina Paganelli: Dassilva diz em audiência que Manuela “cobre alguém ou a si mesma” — próxima sessão em 20/04

Contra-interrogatório em Rimini: Dassilva afirma que Manuela “cobre alguém”; próximo ato na Corte d'Assise marcado para 20/04. Fatos e perícia em foco.

Caso Pierina Paganelli: Dassilva diz em audiência que Manuela “cobre alguém ou a si mesma” — próxima sessão em 20/04

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Caso Pierina Paganelli: Dassilva diz em audiência que Manuela “cobre alguém ou a si mesma” — próxima sessão em 20/04

Em apuração in loco no tribunal de Rimini, prosseguiu nesta manhã o contra-interrogatório de Louis Dassilva, de 36 anos e origem senegalesa, réu no processo pelo homicídio da aposentada Pierina Paganelli, ocorrida em 3 de outubro de 2023. A próxima audiência na Corte d'Assise está marcada para segunda-feira, 20 de abril.

Após o interrogatório conduzido pelo Ministério Público, representado pelo promotor Daniele Paci, realizado há duas semanas, hoje foi a vez dos advogados das partes questionarem o acusado. No contraponto às perguntas da defesa, Dassilva reafirmou versão que difere frontalmente da narrativa prestada pela nora da vítima.

Manuela Bianchi protege alguém ou protege a si mesma”, declarou o réu durante o contra-interrogatório. Em outra passagem, referindo-se ao box/garagem na via del Ciclamino onde o corpo foi encontrado, disse: “Eu lá embaixo — na manhã de 4 de outubro — eu não estava, foi ela que veio me chamar”.

O cotejo das versões sobre o momento do achado do cadáver é o eixo central do processo. A nora da vítima, Manuela Bianchi, deu sua versão em incidente probatório, ocasião em que Dassilva recusou o confronto direto. Hoje, questionado sobre essa recusa, o réu afirmou: “Naquele momento não era a ocasião, como me recomendaram meus advogados, mas agora eu faria”.

Em audiência anterior, a acusação delineou a dinâmica da noite do crime e a sequência posterior ao descobrimento do corpo, destacando também um relacionamento extraconjugal entre Dassilva e a nora Manuela Bianchi, apontado como possível motivo. Segundo a Procuradoria, a vítima idosa teria se mostrado decidida a denunciar a relação e o acusado teria agido para impedir essa exposição.

Perante o promotor Daniele Paci, Dassilva relativizou o vínculo com Bianchi, sustentando estar em seu apartamento — no terceiro andar da via del Ciclamino — no momento do homicídio, e negando que tenha sido ele a descobrir o corpo no dia seguinte. Parte de suas respostas ao Ministério Público foram marcadas por “não me lembro” e por contradições, segundo registro dos autos.

Na sessão de hoje a defesa também trouxe elementos técnicos. O perito balístico indicado pelos advogados, Paride Minervini, afirmou que a dinâmica das feridas sugere domínio do instrumento pela mão direita — “a empunhadura do agressor indica destro” — e que o golpe fatal foi desferido de cima para baixo com força. Minervini avaliou ainda que a vítima e o agressor estavam em posição frontal no momento do ataque, mas considerou difícil precisar a estatura do autor apenas pela análise dos ferimentos.

O processo segue com o confronto entre as versões e a análise técnica das provas. A data agendada para a próxima audiência na Corte d'Assise, segunda-feira, 20 de abril, será crucial para novos esclarecimentos, com possível aprofundamento das linhas de investigação sobre o motivo e a sequência cronológica dos fatos.

Relato factual, cruzamento de fontes e rigor probatório permanecem no centro da cobertura. A realidade traduzida nos autos e as respostas que ainda faltam definirão os próximos passos da instrução.