Investigação sobre os 'cecchini' de Sarajevo: foto e silenciador apreendidos em nova diligência do ROS

ROS apreende foto e silenciador em casa de um dos quatro indiciados pelos supostos 'cecchini' de Sarajevo; coordenação internacional marcada para 29/06.

Investigação sobre os 'cecchini' de Sarajevo: foto e silenciador apreendidos em nova diligência do ROS

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Investigação sobre os 'cecchini' de Sarajevo: foto e silenciador apreendidos em nova diligência do ROS

Por Giulliano Martini — Apuração em Roma e Alessandria. Em operação conduzida nesta manhã pelos carabinieri do ROS, sob delegação do pm de Milão Alessandro Gobbis e do procurador Marcello Viola, foram apreendidos uma fotografia considerada significativa e um silenciador na casa de um dos quatro indagados na investigação sobre os supostos cecchini em Sarajevo durante a guerra dos anos 1990.

A diligência teve como alvo um homem de 65 anos, residente na província de Alessandria, que já havia sido ouvido anteriormente e optado pelo silêncio em parte do interrogatório. A busca desta manhã foi motivada por depoimentos prestados pela ex-mulher e pela ex-companheira do suspeito, que forneceram elementos considerados relevantes para o prosseguimento das investigações.

Segundo o relato da ex-companheira anotado no decreto de busca, a fotografia encontrada mostra o indiciado em primeiro plano, em pose militar e com indumentária não convencional, em um cenário presumivelmente localizado na Bósnia. O retrato, classificado pelos investigadores como um possível "lasciapassare" de zona de conflito, pode ajudar a situar cronologicamente a presença do homem na região e a vincular deslocamentos e atividades atribuídas ao grupo investigado.

Também foi apreendido um silenciador, cuja análise balística e pericial será requisitada para verificar compatibilidade com artefatos bélicos e eventuais correlações com ocorrências criminais da época. Além desses itens, os militares encontraram outros objetos — entre eles um estilete com símbolo nazista, um comprovante de frequentador de polígono de tiro e uma taça — que, por ora, não foram confiscados por serem considerados menos relevantes para a reconstituição dos fatos.

O inquérito milanês lista quatro indiciados: o residente em Alessandria (65 anos), um ex-caminhoneiro de 80 anos originário do Friuli, um empresário de 64 anos domiciliado na Brianza e um cidadão originário da Toscana. Três deles já prestaram depoimentos em Procuradoria nos meses anteriores, adotando defesas formais por meio de memórias ou declarações espontâneas.

Em despacho conjunto, a autoridade judicial agendou uma reunião de coordenação entre equipes internacionais: no dia 29 de junho, na sede da Eurojust em Haia, peritos e procuradores da Itália, Bélgica e Bósnia vão se encontrar para alinhar linhas de investigação. Suíça e Áustria participam das apurações paralelas, reforçando o caráter transnacional do caso.

Trechos do depoimento da ex-companheira, transcritos no decreto, descrevem confissões informais do suspeito: ele teria dito ter "tido pesadelos porque havia matado pessoas" e relatado viagens à Bósnia para "combater" nos anos 1990. A testemunha afirmou ainda que ele relatava partir de Milão em voos, acompanhado por outros que, nos finais de semana, 'faziam o cecchino' com o objetivo de alvejar alvos muçulmanos.

Os investigadores mantêm postura técnica e cautelosa: as apreensões serão submetidas a perícias e cruzamento de dados com arquivos militares, registros de voos e listas de presença em polígonos. A operação de hoje exemplifica o método adotado pela equipe: apuração in loco, cruzamento de fontes e foco nos fatos brutos que possam confirmar ou refutar as alegações sobre os chamados "cecchini do weekend" em Sarajevo.

O caso segue sob sigilo parcial, com diligências em andamento, e novas etapas processuais dependem dos resultados periciais e das próximas iniciativas de cooperação internacional previstas para o final de junho.