Deslizamento de Niscemi: últimos quatro governadores da Sicília — entre eles Musumeci e Schifani — são alvo de investigação
Procuradoria de Gela investiga 13 pessoas pelo deslizamento de Niscemi; últimos quatro governadores da Sicília estão entre os investigados.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Deslizamento de Niscemi: últimos quatro governadores da Sicília — entre eles Musumeci e Schifani — são alvo de investigação
Gela — A Procuradoria de Gela inscreveu oficialmente 13 investigados na apuração sobre o deslizamento de Niscemi. O anúncio foi feito pelo procurador Salvatore Vella em coletiva, que detalhou o escopo temporal e os próximos passos das investigações.
Segundo Vella, a investigação abrange o período entre 2010 e 2026 e inclui, entre os indiciados, os últimos quatro presidentes da Região Siciliana: Raffaele Lombardo, Rosario Crocetta, Nello Musumeci — atualmente ministro da Proteção Civil — e o atual presidente Renato Schifani. Também figuram no rol gestores da Proteção Civil regional e responsáveis técnicos e administrativos ligados aos projetos de mitigação do risco geológico.
As imputações apontadas até o momento são, a vários títulos, por desastre culposo e danos consequentes do deslizamento. Vella enfatizou que a atuação do Ministério Público segue um programa dividido em fases bem definidas, concebido para reconstruir as omissões e as decisões administrativas ocorridas ao longo de mais de uma década.
Na primeira fase, já em curso, os investigadores apuram a falta de realização das obras de mitigação que poderiam ter evitado ou atenuado o evento de 2026. Em especial, o foco recai sobre intervenções previstas desde o deslizamento de 1997, que não foram executadas. Foi esse ponto que, segundo a Procuradoria, motivou a inscrição dos 13 investigados.
A segunda fase examinada pela equipe ministerial abordará as obras de captação e regimentação das águas pluviais e residuais no território de Niscemi — destacadas desde 1997 como fatores de gatilho para movimentos de massa. A terceira etapa, por sua vez, investigará a chamada zona vermelha já identificada em 1997 como de risco muito elevado: a eventual omissão no despejo e demolição de imóveis, a concessão de novas autorizações para construção e a verificação de possíveis edificações irregulares.
O procurador lembrou que, após o deslizamento de 1997, foram destinados cerca de 23 bilhões das antigas liras para obras de mitigação, e que um consórcio (ATI) foi contratado para executar as intervenções. Contudo, o contrato foi resolvido por inexecução em 2010 e os fundos — estimados em aproximadamente 12 milhões de euros — permanecem não utilizados nos cofres regionais.
Entre os nomes citados pela Procuradoria constam também chefes da Proteção Civil regional daquele período — entre eles Calogero Foti e o atual Salvatore Cocina — além dos diretores-gerais da Região responsáveis pelo escritório contra o dissesto hidrogeológico e do responsável pela ATI encarregada dos trabalhos contratados em 2000.
Vella sublinhou que, por ora, os indiciados são referentes à “mancata realizzazione delle opere di mitigazione” — isto é, à não realização das obras previstas — e que, nos próximos dias, os investigados serão convocados para prestar depoimento na Procuradoria de Gela. O magistrado deixou claro que os trabalhos investigativos serão sequenciais e técnicos, com cruzamento de documentos, perícias e análise dos atos administrativos que regem a aplicação dos recursos.
Importante ressaltar: a investigação está em curso e envolve apurações administrativas e criminais; até o momento não há sentença ou condenação. A Procuradoria também informou que não estão entre os indiciados os sucessivos prefeitos de Niscemi que administraram o município ao longo dos anos.
Este é um caso de relevância regional e nacional, que coloca sob escrutínio decisões sobre prevenção de risco e gestão de recursos públicos. A apuração promete novos desdobramentos nos próximos meses, à medida que as fases investigativas avançarem e novos depoimentos e perícias forem colhidos.