DNA reabre caso Garlasco: perito Ugo Ricci aponta quadro investigativo mais amplo e inquietante
Ugo Ricci afirma que DNA reabriu o caso Garlasco; análise técnica amplia quadro investigativo e levanta críticas às perícias anteriores.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
DNA reabre caso Garlasco: perito Ugo Ricci aponta quadro investigativo mais amplo e inquietante
Por Giulliano Martini — Em entrevista exclusiva à AGI, o geneticista toscano Ugo Ricci reafirmou o papel decisivo do DNA que levou à reabertura do inquérito sobre o homicídio de Chiara Poggi em Garlasco, mas fez uma advertência técnica: com aquele material genético parcial não seria possível, por si só, garantir uma condenação. "Com aquele DNA nós fizemos reabrir a investigação, mas eu sabia que com aquele DNA não se colocaria ninguém na prisão, porque é parcial e tem todos os limites que a geneticista Denise Albani depois destacou em sua perícia", declarou Ricci.
Ricci, que assinou a consultoria de defesa de Alberto Stasi juntamente com o especialista alemão Lutz Roewer, afirmou ter identificado material compatível com o ramo paterno de Andrea Sempio nas unhas da vítima. Segundo o perito, esses vestígios — juntamente com a chamada "impronta 33" na parede da escada que leva à adega e atribuída pela Procuradoria de Pavia a Stasi — constituem "os dois grilhetos" que permitem reabrir a investigação.
Ricci explicou o motivo pelo qual Roewer, autoridade mundial em estudo do cromossomo Y, permaneceu até agora à sombra: "Ele é um luminare em aposentadoria. Eu o contatei de forma anônima, sem qualquer referência ao caso de Garlasco, e não indiquei os nomes de Alberto Stasi e Andrea Sempio, qualificando-os apenas como 'sujeito A' e 'sujeito B'." Segundo Ricci, Roewer ofereceu inicialmente o relatório detalhado gratuitamente; após, foi remunerado em 600 euros. "O fato de eu não lhe ter mencionado nada sobre o caso dá ainda mais força às suas conclusões", disse o geneticista, sem confirmar se o especialista alemão agora conhece todos os contornos do processo.
Ao traçar um raio‑X das investigações, Ricci destacou que a equipe de defesa desconhecia o conteúdo dos "70 volumes" arquivados no procedimento: "Da reconstituição da acusação e das investigações contidas em bem 70 faldoni nós não sabíamos nada e creio que ainda não sabemos tudo; virá à tona mais material."
O perito qualificou como um ponto de viragem prejudicial à investigação inicial o episódio em que o juiz de garantias anulou a prisão preventiva de Stasi por suposta presença de traços de sangue da vítima nos pedais da bicicleta atribuída a ele. "Os RIS erraram, obviamente de forma culposa, e não fizeram uma boa figura. A partir dali, em nível psicológico e talvez de modo inconsciente, continuaram a investigar Stasi, seguindo uma única direção", afirmou Ricci, lembrando que foram necessários 11 anos para reverter a perícia de De Stefano sobre o DNA no apelo‑bis.
Sobre o atual quadro probatório, Ricci usa termos técnicos e contundentes: as provas técnicas — DNA e análise de impressões —, quando analisadas no contexto amplo e com acesso à discovery, assumem "uma valência muito forte" e compõem um cenário que o perito define como "amplo e também inquietante". "É perturbador comparar a escassez de elementos usada para condenar Stasi com o que agora emerge em relação a Sempio", resumiu.
O relato de Ricci revela um processo de investigação em curso cujo contorno factual muda conforme o cruzamento de perícias e o acesso integral às peças processuais. Em linguagem direta e sem especulações, o perito aponta falhas técnicas passadas, novas evidências parciais de DNA e lacunas documentais que podem alterar a trajetória do caso. A expectativa agora é pela completa análise forense e pelo consequente desdobramento judiciário diante deste quadro ampliado.