Athora/ Nomisma: apenas 8% dos não aposentados organizou com cuidado a vida pós-trabalho
Estudo Athora-Nomisma mostra: apenas 8% dos não aposentados organizou a vida pós-trabalho; curto-prazismo e baixa adesão à previdência complementar.
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Athora/ Nomisma: apenas 8% dos não aposentados organizou com cuidado a vida pós-trabalho
Roma — Athora Italia, companhia do Grupo Athora dedicada ao ramo vida, apresentou junto com a consultoria Nomisma a segunda edição do Observatório "Look to the Future", estudo que mapeia o sentimento dos italianos sobre poupança, investimentos, previdência e proteção, com foco específico em longevidade e previdência complementar. A apresentação contou com Jozef Bala (CEO da Athora Italia), Silvia Zucconi (diretora New Market Intelligence de Nomisma) e o sociólogo Sergio Sorgi, fundador da Progetica.
O levantamento revela uma tensão sociológica clara: para quem já está aposentado prevalece um olhar relativamente otimista sobre o futuro (63%), enquanto entre os não pensionados a perspectiva da longevidade acende sinais de alerta — 29% a associam a ansiedade e preocupação. O dado sintetiza uma contradição recorrente: reconhecimento do risco da vida longa, mas escassa transformação desse reconhecimento em planejamento prático.
Três em cada quatro entrevistados (74%) declaram preocupação com a possibilidade de vir a ser não autosuficiente. As maiores inquietações são o peso do cuidado sobre familiares, a necessidade de mudanças drásticas no estilo de vida e o custo econômico ligado à dependência. Apesar do receio, prevalece um comportamento de curto prazo: somente 8% dos não aposentados afirmam ter organizado com cuidado a própria vida para o período pós-emprego.
O estudo identifica um padrão de poupança frequentemente não planejada: 47% dos inquiridos reduzem gastos supérfluos como estratégia para acumular recursos, mas sem objetivos financeiros definidos. Entre os que não estão acumulando para a velhice, 53% admitiram dificuldade concreta em poupar o suficiente. O diagnóstico aponta para um acúmulo ‘primitivo’ — economias reativas e sem estruturação.
Há também subestimação do tempo e da realidade previdenciária. Mais de um terço dos trabalhadores espera aposentar-se na faixa de 65-67 anos. Apenas 33% dos ativos projetam passar mais de 20 anos aposentados; entre os já aposentados, 57% reconhecem que a longevidade efetivamente se estende por décadas. Em paralelo, 70% dos não pensionados temem que o valor da futura pensão não mantenha o padrão de vida desejado, e 42% creem que os contributos realizados hoje garantirão automaticamente as pensões de amanhã — sinal de desinformação sobre a sustentabilidade e a mecânica do sistema público.
Na prática de mercado, a tradução em adesões é limitada: apenas 27% dos italianos declararam ter ativado um plano de previdência complementar; 36% afirmaram que pretendem fazê-lo. O relatório destaca uma lacuna entre percepção de risco e ações concretas de proteção financeira.
O diagnóstico de Athora e Nomisma coloca em evidência dois vetores que merecem atenção coordenada: a necessidade de educação financeira que transforme apreensão em instrumentos concretos de proteção e a urgência de produtos e políticas que tornem a previdência complementar mais acessível e compreensível. Em termos práticos, o relatório sinaliza também demanda por aconselhamento especializado e por soluções que articulem poupança, seguro e investimento de longo prazo.
Apuração rigorosa, cruzamento de fontes e apresentação dos números permitiram extrair o núcleo do problema: há consciência crescente sobre os riscos da longevidade, mas o país ainda opera em grande escala com respostas individuais fragmentadas e de curto prazo. Para quem acompanha os indicadores do mercado segurador e do sistema previdenciário, o dado dos 8% é um alerta técnico sobre a necessidade de intervenções que aliem comunicação, produto e incentivo.