Governança como infraestrutura de confiança torna empresas bancáveis, diz Aceti (Deltha Pharma)

Aceti (Deltha Pharma) afirma que a governança é infraestrutura de confiança que torna empresas bancáveis; diagnóstico e soluções apresentados em Roma.

Governança como infraestrutura de confiança torna empresas bancáveis, diz Aceti (Deltha Pharma)

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Governança como infraestrutura de confiança torna empresas bancáveis, diz Aceti (Deltha Pharma)

ROMA — Em apuração in loco e cruzamento de fontes reunidos no congreso da Associazione Nazionale Finanzialisti (ANF), ficou claro que a governança é hoje a principal alavanca para transformar empresas italianas em agentes bancáveis. O diagnóstico foi apresentado por Maria Francesca Aceti, CEO da Deltha Pharma srl, durante o painel "Il ruolo della Politica nel migliorare il dialogo Banca-Impresa", realizado em 14 de abril na Aula dei Gruppi Parlamentari da Câmara dos Deputados, em Roma.

O tecido produtivo italiano enfrenta uma crise estrutural: das aproximadamente 4,6 milhões de empresas ativas, 95% são microempresas, em sua maioria com menos de 10 empregados. Essa configuração organizacional reduzida traduz-se em barreiras concretas, sobretudo no acesso ao crédito. Dados apresentados no evento mostram tarifas médias de 4,16% para empréstimos inferiores a 1 milhão de euros, contra 3,29% para operações acima desse montante — discrepância que reflete risco percebido e falta de transparência gerencial.

Moderado por Sergio Luciano, diretor das revistas Economy e Investire, o encontro reuniu academia, instituições e empresários para debater como a estrutura de governança corporativa pode ser entendida como uma infraestrutura de confiança entre empresas e sistema bancário. No centro do debate, a observação de Aceti: o problema do acesso ao crédito para pequenas e médias empresas não é somente financeiro; é, antes de tudo, organizativo e cultural.

"Em 2011 entrei em uma empresa à beira do colapso, com dívidas elevadas e sem acesso ao crédito", relatou Aceti. "Não tínhamos capital, mas construímos confiança por meio da governança, alterando profundamente nosso relacionamento com os bancos." A trajetória da Deltha Pharma — de empresa não confiável a companhia com rating máximo junto às instituições financeiras — foi citada como prova concreta de que a transformação é viável, mesmo partindo de situações críticas.

O painel ressaltou também a lacuna na linguagem entre bancos e pequenas empresas. "As empresas discutem produto e mercado; os bancos, risco e sustentabilidade. A governança é a ponte entre esses dois mundos", observou Aceti, apontando para uma desconexão comunicativa que gera oportunidades perdidas para o sistema econômico.

O contexto macroeconômico amplifica as fragilidades: previsões do Istat indicam crescimento do PIB italiano de +0,6% para 2025, enquanto o mercado de trabalho exigirá entre 3,3 e 3,7 milhões de trabalhadores até 2029. Segundo os participantes do evento, sem empresas mais estruturadas e com governança sólida a transmissão da política monetária permanece desigual, penalizando as pequenas unidades e criando um ciclo vicioso onde a falta de estrutura impede o acesso a crédito e, por consequência, o crescimento.

Do ponto de vista prático, foram sugeridas medidas que vão desde a adoção de instrumentos de compliance e relatórios de sustentabilidade até modelos de conselhos consultivos que melhorem a previsibilidade das operações. Ao final, a mensagem foi direta e com respaldo empírico: fortalecer a governança é construir uma infraestrutura de confiança que reduz assimetrias de informação e torna as empresas efetivamente bancáveis.

Relato técnico e sem rodeios, a intervenção de Aceti serviu para reposicionar o debate: mais que injeção financeira, as PMEs italianas precisam de mudanças organizativas e culturais para acessar linhas de crédito em condições competitivas. É um chamado à ação para gestores, bancos e políticas públicas — uma agenda que, segundo as fontes do evento, será determinante para a próxima janela de crescimento econômico do país.