Princípio da derivação é crucial para a disciplina do rendimento empresarial, afirma Trabucchi (Assonime)
Trabucchi (Assonime) afirma que o princípio da derivação é essencial para a disciplina do rendimento empresarial e aponta necessidade de ajustes na Lei de Orçamento.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Princípio da derivação é crucial para a disciplina do rendimento empresarial, afirma Trabucchi (Assonime)
Em manifestação durante o EY Tax Talk 2026, realizado em Roma, Alberto Trabucchi, Condiretor-Geral e Diretor de Fiscalidade Empresarial da Assonime, destacou que o princípio da derivação permanece como elemento central para a disciplina do rendimento empresarial e expressou preocupação com dispositivos recentes introduzidos pela Lei de Orçamento que podem fragilizar esse princípio.
Segundo Trabucchi, “o aspecto central é o princípio de derivação, que vem sendo um pouco posto em risco pelas disposições desta última lei de orçamento. Está em curso trabalho para identificar eventuais melhorias. Estou razoavelmente confiante de que algumas questões que claramente não funcionam poderão ser corrigidas”.
O diretor fiscal da Assonime detalhou a relevância técnica do princípio: no atual TUIR (Texto Único das Impostas sobre o Rendimento), não existem todos os mecanismos de controle que hoje caracterizam os princípios contábeis, sejam eles internacionais ou nacionais, as quais são reguladas por organismos terceiros e independentes e oferecem garantias substanciais. Essa lacuna, explicou, cria complexidade adicional na gestão do chamado binário contábil-fiscal.
Na prática, a coexistência de normas contábeis e fiscais distintas aumenta a probabilidade de dúvidas interpretativas, erros operacionais e contestações em procedimentos de fiscalização, exigindo, por vezes, reconstruções históricas onerosas. Do ponto de vista constitucional, acrescentou Trabucchi, a derivação assegura maior conformidade entre as regras de determinação do rendimento e o lucro distribuível, traduzindo-se em melhor aderência ao princípio da capacidade contributiva.
Além do debate sobre o princípio da derivação, o ciclo de palestras do EY Tax Talk 2026 debateu impactos tributários e comerciais mais amplos: a influência dos dazi e das políticas comerciais sobre a cadeia de abastecimento (supply chain), tendências em matérias de auditorias fiscais, e as consequências das recentes pronúncias da CEDU (Corte Europeia dos Direitos Humanos) sobre procedimentos de fiscalização. Também foram avaliados perfis de gestão de risco nas relações de subcontratação.
Do ponto de vista técnico, a mensagem central de Trabucchi combina advertência e expectativa de correção: a legislação aprovada contém pontos criticáveis, mas existem esforços em curso para ajustar as normas sem comprometer a coerência do sistema tributário empresarial.
Essa leitura, produzida a partir das declarações oficiais e do cruzamento de fontes especialistas presentes no evento, reforça a necessidade de acompanhamento próximo por empresas e consultores fiscais. Alterações no enquadramento da derivação podem afetar bases de cálculo, procedimentos de compliance e a própria segurança jurídica dos balanços empresariais.
Em resumo: para especialistas como Trabucchi, preservar o princípio da derivação é condição necessária para garantir clareza, previsibilidade e justiça na tributação do rendimento empresarial — pontos que deverão nortear eventuais ajustes normativos nos próximos meses.


