Sul da Itália trabalha quase um mês a menos que o Norte, aponta estudo da CGIA
Estudo da CGIA revela que o Sul da Itália trabalha 27 dias a menos que o Norte; precariedade, part-time involuntário e trabalho informal explicam o fosso.
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Sul da Itália trabalha quase um mês a menos que o Norte, aponta estudo da CGIA
Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes a partir do Ufficio studi da CGIA di Mestre e dados INPS. Em 2024 a média anual de dias trabalhados no Norte da Itália foi de 255 dias, contra 228 dias no Mezzogiorno — uma diferença de 27 dias, quase um mês a mais de trabalho por ano para o trabalhador do Norte.
O descompasso reflete-se também nas remunerações: a média diária de pagamento atingiu 108 euros no Norte, frente a 80 euros no Sul, uma vantagem de cerca de 36% para o setor setentrional. No mesmo patamar está a produtividade, que foi superior em aproximadamente 36% no Norte em comparação com o Mezzogiorno. Esses números desenham um raio-x do cotidiano econômico do país, onde diferenças em dias trabalhados, salários e produtividade se retroalimentam.
A pesquisa identifica as causas principais para o menor número de dias trabalhados no Sul: maior presença de precariedade, uso mais frequente do part-time involuntário e significativa participação de trabalho sazonal, especialmente nos setores de turismo e entretenimento. Outro fator crítico é a difusão do trabalho informal (o lavoro nero), cuja natureza ilegal impede que as horas efetivamente trabalhadas sejam contabilizadas nas estatísticas oficiais, levando à subestimação do total de horas laboradas.
O exame dos dados INPS leva a distinguir os assalariados segundo dois vetores: intensidade do trabalho (tempo integral versus parcial) e continuidade do vínculo ao longo do ano. Segundo a CGIA, a condição dos chamados "trabalhadores pobres" decorre, em maioria dos casos, não de um salário-hora insuficiente, mas da escassez de horas trabalhadas ao longo do ano ou da insuficiência de horas semanais.
No plano das políticas públicas, o estudo alerta que atuar apenas sobre o salário mínimo — isto é, elevar a paga horária — pode não bastar para assegurar rendimento adequado quando a falta é de continuidade ou intensidade de trabalho. A recomendação técnica é dirigir intervenções para fomentar emprego estável, promover a continuidade dos contratos e converter o part-time involuntário em empregos a tempo integral, além de medidas que aumentem a produtividade em setores mais frágeis e combater o trabalho informal.
Ao nível provincial, a maior média de dias retribuídos foi registrada em Lecco, seguida por Biella, Vicenza, Monza-Brianza e Lodi. Na extremidade oposta da tabela aparecem Rimini, Nuoro e Vibo Valentia. Esses contrastes internos confirmam o perfil desigual do mercado de trabalho italiano, onde a rigidez estrutural de determinadas áreas penaliza a regularidade das ocupações.
Em linguagem jornalística direta: os fatos brutos mostram que não se trata apenas de menor quantidade de trabalho no Sul, mas de uma maior fragilidade das condições laborais — uma realidade que exige políticas integradas, focadas não apenas em salário-hora, mas em estabilidade, continuidade e formalização do trabalho. A análise técnica da CGIA sublinha a necessidade de cruzamento de medidas econômicas e laborais para reduzir o fosso entre Norte e Sul da Itália.

