Estudante italiano de 15 anos permanece 72 dias em isolamento em Malta, pais denunciam violação de direitos

Estudante italiano de 15 anos está há 72 dias em isolamento em Malta; pais denunciam violação de direitos e Embaixada acompanha o caso.

Estudante italiano de 15 anos permanece 72 dias em isolamento em Malta, pais denunciam violação de direitos

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Estudante italiano de 15 anos permanece 72 dias em isolamento em Malta, pais denunciam violação de direitos

Malta — Um estudante italiano de 15 anos permanece em regime de isolamento há 72 dias em um estabelecimento prisional em Malta, segundo relato dos pais e documentos obtidos pela reportagem. A família, residente no arquipélago há cinco anos, denuncia que a situação configura violação de tratados internacionais e princípios humanitários.

Os detalhes da reclusão foram reunidos por Antonio Santoiemma e Daniela Lorusso, pais do adolescente, detido após um episódio de suposto alarme de bomba numa escola. Na descrição dos pais, a cela onde o jovem ficou inicialmente continha apenas uma cama, um lavatório "que não funciona" e um sanitário, tudo sob vigilância permanente de câmeras.

Nos primeiros 35 dias de detenção no Centro de Menores, o garoto não teve acesso a outros espaços além das paredes daquela cela. Depois desse período passou a ter acesso a uma televisão e a um espaço para refeições, mas permanece em isolamento, sem contato direto com os demais internos. "Se houve um delito, as responsabilidades devem ser assumidas — nós contestamos a ilegalidade da detenção porque está violando todos os tratados dos quais Malta faz parte", afirmam os pais.

O relato dos familiares descreve ainda que, logo após ser detido, o jovem ficou quatro dias na divisão 6 do presídio de Corradino, destinado a adultos, onde por forte estresse acabou por se autolesionar. Segundo os pais, mesmo dentro do presídio de menores o tratamento se manteve restritivo: foram 22 horas por dia confinado, obrigando-o a comer em pé; por três dias chegou a se alimentar com as mãos por falta de talheres.

Hoje, embora o jovem possa assistir televisão em outra sala e passar duas horas por dia numa sala de jogos, continua sem intercâmbio social com os demais internos; toma banho apenas uma vez ao dia, ao meio-dia, quando os outros reclusos repousam, e permanece sob vigilância constante, em um espaço que os pais comparam a uma cela com regime de 41-bis.

Os pais enfatizam que o que começou como uma detenção legal evoluiu para condições que classificam como "alarmantes". A mãe questiona diretamente "até que ponto ele pode suportar esse tipo de detenção? É ilegal e viola princípios humanitários". O pai ressalta que os agentes no centro de menores se mostraram humanos e perplexos com a manutenção do isolamento.

O caso está sendo acompanhado pela Embaixada da Itália em Valletta, em coordenação com a Farnesina. Fontes oficiais informam que a Embaixada já visitou o jovem no dia 26 de junho e que outras visitas foram programadas com as autoridades penitenciárias locais. As autoridades italianas mantêm contatos formais com as instâncias maltesas enquanto a família busca esclarecimentos e reparações.

Este é um caso que reúne questões legais sobre a aplicação de regimes de isolamento a menores, a adequação de espaços penitenciários e o cumprimento de convenções internacionais. A apuração segue em curso, com cruzamento de documentos, declarações familiares e acompanhamento diplomático. A reportagem continuará acompanhando as próximas etapas legais e eventuais posições oficiais das autoridades de Malta.

Giulliano Martini, correspondente da Espresso Italia em Malta — apuração in loco, cruzamento de fontes e fatos brutos.