Geneticista da família de Yara analisará martelo apreendido em carro de policial investigado por morte de Mansouri
Geneticista que atuou no caso Yara analisará martelo apreendido em carro de policial investigado pela morte de Abderrahim Mansouri em Rogoredo.
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Geneticista da família de Yara analisará martelo apreendido em carro de policial investigado por morte de Mansouri
As investigações sobre a morte de Abderrahim Mansouri em Rogoredo avançam com novas perícias. Desde segunda-feira, o geneticista que assessorou a família de Yara Gambirasio, o professor Giorgio Portera, está envolvido na análise de um martelo e de um pedaço de taco de bilhar apreendidos em um carro ligado ao assistente‑chefe da Polícia, Carmelo Cinturrino.
Os objetos foram encontrados em um veículo na posse de Cinturrino, preso desde 26 de janeiro após disparar contra o jovem de 28 anos, Mansouri, no conhecido "boschetto" da droga em Rogoredo, em Milão. A perícia genética visa verificar a existência de vestígios biológicos que possam corroborar relatos de testemunhas e fornecer elementos técnicos adicionais ao inquérito.
Amigos e conhecidos de Mansouri relataram que o policial, segundo eles, costumava ameaçar e, por vezes, agredir traficantes e dependentes químicos com um martelo e outros objetos contundentes. A identificação de traços biológicos nos instrumentos apreendidos pode relacionar material orgânico — sangue, pele ou outro DNA — às vítimas, fortalecendo ou contestando essas declarações.
A Procuradoria solicitou a realização de um incidente probatório para oito pessoas, buscando consolidar as testemunhas em juízo. O uso desse procedimento indica a tentativa de preservar depoimentos considerados relevantes para o curso das investigações.
Cinturrino responde a mais de 30 acusações, entre elas extorsão, detenções ilegais, tráfico de drogas, concussão, roubo, sequestro, calúnia, agressões, desvio de investigação e falsificação de documentos. Entre as imputações figura também a agravante da premeditação no homicídio e a violação dos deveres decorrentes da função pública.
Outros seis policiais lotados no mesmo Comissariado são investigados por, a várias maneiras, favorecer o acusado ou omitir socorro. Entre as apurações constam ainda detenções ilegais, falsidade documental e extorsões. As investigações apontam para um quadro de operações limítrofes com a lei: controle ilegal de pontos de venda de drogas entre Rogoredo e Corvetto, denúncias de espancamentos e práticas de intimidação.
A Procuradoria deverá pedir a manutenção da prisão preventiva de Cinturrino; a decisão sobre o pedido cabe aos juízes nos próximos dias. Em 17 de março, durante audiência no Tribunale del Riesame sobre o pedido de relaxamento da prisão, o assistente‑chefe negou a intenção de matar, afirmando ter "disparado por medo" e descrevendo o episódio como uma "tragédia". Reiterou estar "muito abatido" pela perda de uma vida humana.
A entrada do professor Giorgio Portera no caso acrescenta o peso técnico de uma perícia genética que, historicamente, desempenhou papel central em processos de grande repercussão, como o da própria Yara Gambirasio. A análise dos objetos apreendidos deverá ser concluída conforme os prazos forenses e poderá influenciar os desdobramentos legais, sobretudo se forem encontrados vestígios que corroborem depoimentos ou contradigam a versão do acusado.
Apuração in loco e cruzamento de fontes seguem como pilares da investigação. A realidade traduzida pela perícia genética poderá ser determinante para a configuração das acusações e para a decisão judicial sobre a manutenção da prisão preventiva.


