Interprete encontrado morto em Milão: investigação apura encontro por app de encontros

Investigadores em Milão apuram se intérprete assassinado conheceu o agressor por app de encontros; perícia analisou estátua com sangue.

Interprete encontrado morto em Milão: investigação apura encontro por app de encontros

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Interprete encontrado morto em Milão: investigação apura encontro por app de encontros

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam que entre as linhas de investigação do caso do interprete Roberto Pietro Guerrino, 60 anos, está a hipótese de que ele tenha conhecido seu assassino por meio de uma app de encontros. O corpo foi localizado na sexta-feira no apartamento do tradutor de conferências em Milão.

Os Carabinieri da companhia Duomo e o Nucleo Investigativo do Comando Provincial conduzem as diligências: análise de contatos, verificação de compromissos marcados nos dias anteriores ao crime e exame das imagens das câmeras da região. Entre as linhas de apuração está a possibilidade de um encontro recente com alguém conhecido em plataformas como Grindr e Romeo, que o intérprete já utilizava anteriormente para se encontrar com outros homens.

A cena encontrada pelas equipes revela fatos brutos: o corpo estava caído no chão, em uma poça de sangue, semientrevestido e com roupas femininas. Há registros anteriores na vida de Guerrino de episódios de violência e furto praticados por homens que ele havia conhecido on-line e convidado para sua casa, informação que os investigadores consideram relevante para traçar o perfil da dinâmica do homicídio.

O cadáver apresentava feridas contundentes na cabeça. Perícias preliminares apontam que um objeto doméstico pesado pode ter sido usado como arma. Entre os elementos recolhidos para perícia está uma estátua de Buda de grande porte, encontrada com manchas de sangue e atualmente sob exame pelas Sezioni Investigazioni Scientifiche, que vestiam trajes de proteção durante os levantamentos no imóvel.

Guerrino tinha currículo profissional consolidado: atuava como intérprete de conferência e declarou em seu histórico ter trabalhado para figuras públicas nacionais e internacionais, incluindo eventos com autoridades de destaque.

Segundo apuração, o alarme foi dado por um ex-companheiro que reside em Gênova, que não obtinha resposta do intérprete desde sexta-feira, e também pela sobrinha, que não conseguiu contato com o tio. Não houve sinais de arrombamento: a sobrinha entrou no apartamento com chave própria — que também estava com uma vizinha — e encontrou a vítima; os Vigili del Fuoco, acionados, confirmaram a ocorrência e imediatamente comunicaram as forças de segurança.

Moradores do prédio descreveram Guerrino como uma pessoa reservada, porém "gentil com todos". As declarações de vizinhos integram o conjunto de depoimentos recolhidos no local, parte do amplo trabalho de investigação em andamento.

Os investigadores seguem apurando histórico de relações on-line do intérprete, registros de acesso a aplicativos e contatos recentes, além de analisar imagens de vigilância e evidências forenses coletadas no apartamento. A linha de investigação que considera um encontro marcado por aplicativo é tratada com cautela: os fatos serão confrontados com laudos e depoimentos antes de qualquer conclusão definitiva.