Nova investigação suíça apura gestão dos socorros em Crans‑Montana; Itália se constitui parte civil
Nova investigação suíça apura gestão dos socorros em Crans‑Montana; Itália se constitui parte civil no processo sobre o incêndio da virada.
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Nova investigação suíça apura gestão dos socorros em Crans‑Montana; Itália se constitui parte civil
Reportagem de Giulliano Martini — A Procura do Cantão do Valais, responsável pelas investigações sobre o incêndio na boate Le Constellation, abriu um novo inquérito específico para apurar a gestão dos socorros durante a tragédia na passagem de ano. A informação foi confirmada pelo escritório de advocacia Ventimiglia, que atuou como peça ativa nas diligências iniciais.
Segundo nota do escritório dos advogados Fabrizio Ventimiglia e Pierluca Degni, o procedimento foi instaurado após a apresentação de denúncias e petições nas últimas semanas. O foco do novo capítulo investigativo é verificar eventuais responsabilidades da OCVS (Organisation cantonale valaisanne des secours) na condução do socorro na noite entre 31 de dezembro de 2025 e 1º de janeiro de 2026.
Os advogados afirmam que depoimentos e imagens disponibilizadas aos investigadores levantam «relevantes interrogações» sobre as primeiras fases da resposta ao incêndio. Entre as falhas apontadas estão a carência de bombonas de oxigênio, a falta de macas e a escassa disponibilidade de cobertores térmicos. Se confirmadas, essas deficiências poderiam ter tido impacto direto no agravamento do estado de saúde de vítimas como Sofia Donadio e outros jovens feridos, dizem os representantes legais.
Em paralelo, os advogados Ventimiglia, Marco Giannone e Davide Zaninetta, que representam uma das jovens feridas no estabelecimento, declararam ter assistido a imagens «duras e tocantes» da tragédia. Após a análise dos vídeos, eles afirmam que surgem dúvidas «já evidentes anteriormente» sobre a veracidade da versão prestada por Jessica Moretti durante as suas audições.
De acordo com o escritório, as filmagens mostram uma dinâmica clara que contrasta com as declarações de Moretti, tanto quanto ao momento da deflagração do incêndio quanto aos instantes imediatamente posteriores. Os registros também evidenciam problemas na resposta de emergência: profissionais aparentemente sem formação adequada, dificuldade na identificação de extintores e uma sequência de segundos críticos em que “quem deveria alertar e organizar a saída dos frequentadores do local é, entre os primeiros, a fugir”, segundo a nota dos advogados.
Por fim, o governo italiano avançou formalmente: a Presidência do Conselho de Ministros, por meio da Avvocatura Generale dello Stato e com representação de um escritório de advocacia suíço, apresentou o ato de constituição de parte civil da República Italiana no processo penal relativo ao incêndio em Crans‑Montana. A decisão oficial de tornar-se parte civil demonstra a continuidade do acompanhamento institucional do caso e a intenção de salvaguardar direitos de cidadãos italianos afetados pelo evento.
Fontes envolvidas na investigação reforçam que trata-se de um desdobramento relevante do inquérito, cujo resultado poderá clarificar responsabilidades tanto de ordem criminal quanto administrativa. A apuração prossegue com o cruzamento de imagens, depoimentos e laudos técnicos; as autoridades suíças e representantes legais das vítimas acompanham de perto os desdobramentos.
Conclui-se que, neste estágio, permanece a necessidade de aguardar os desenvolvimentos formais do novo procedimento instaurado pela Procura do Cantão do Valais. A equipe de reportagem da Espresso Italia seguirá com a apuração in loco e o cruzamento de fontes para levar à luz os fatos brutos e a realidade traduzida das responsabilidades que emergirem.