Até 2029 Itália precisará de 2,2 milhões de colf e badantes, aponta estudo
Estudo aponta necessidade de 2,2 milhões de colf e badanti na Itália até 2029, com forte dependência de trabalhadores estrangeiros e envelhecimento do setor.
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Até 2029 Itália precisará de 2,2 milhões de colf e badantes, aponta estudo
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: para atender à demanda domiciliar de cuidados e assistência na Itália será necessário, até 2029, um total aproximado de 2,2 milhões de trabalhadores domésticos. É a projeção do paper encomendado pela Assindatcolf ao Centro studi e ricerche Idos, incluída no Rapporto 2026 Family (Net) Work, apresentado em Roma.
O estudo parte de fatos brutos: ao fim deste ano a população com mais de 65 anos totalizará cerca de 15 milhões de pessoas; entre elas, 2,2 milhões “necessitarão de ajuda”, o equivalente a 14,6% do total, com variação regional que vai de 12% no Norte a 19% no Sul e nas Ilhas. Do grupo, 43,6% (ou 958 mil pessoas) deverão receber auxílio pago.
Projetando esses números para 2029, estima-se a necessidade de quase 1.068.000 badanti (cuidadores), dos quais 784 mil com cidadania estrangeira — 73,4% desse total. A distribuição territorial, segundo o relatório, revela uma concentração das ofertas de trabalho inversa à dos maiores índices de necessidade: entre 50% e 52% das vagas estarão no Centro-Norte (Toscana, Umbria, Marche, Lazio), enquanto Campânia, Sicília e Calábria somam cerca de 32%.
No mesmo horizonte, a demanda por trabalhadores de serviço doméstico — as colf — deverá alcançar 1.144.000 profissionais, com 742 mil estrangeiras (64,8%). O somatório leva ao fabbisogno total projetado de 2.211.000 trabalhadores domésticos em 2029.
O relatório calcula um incremento no triênio 2027–2029 de quase 122 mil unidades, o que equivale a uma média anual de 40.522 novas posições: 7.440 profissionais italianos e 33 mil estrangeiros, destes cerca de 24 mil não comunitários. Esses números não decorrem apenas das tendências demográficas, mas também de realidades estruturais do mercado de trabalho.
Fatores demográficos reforçam o quadro: a expectativa de vida atual situa-se em 83,7 anos — que manterá a Itália entre as mais longevas da UE — enquanto projeções para 2050 apontam 84,3 anos para os homens e 87,8 anos para as mulheres. Ao mesmo tempo, a parcela da população em idade ativa tende a diminuir, de 63,5% atualmente para 54,3% em 2050.
O paper evidencia ainda um envelhecimento marcado entre a população estrangeira: a quota de over-65 entre imigrantes quase triplicou desde 2012, atingindo 6,9% em 2026. No setor doméstico o processo é mais acentuado: em 2024, mais de 11% do trabalho formal no setor foi realizado por estrangeiros com mais de 65 anos. O mercado caracteriza-se, portanto, por baixo recambio geracional e crescente dependência de trabalhadores idosos, muitas vezes ativos por necessidade econômica e por trajetórias profissionais pouco tuteladas.
O fenômeno é particularmente nítido entre as cuidadoras: a proporção de mulheres cuidadoras com mais de 65 anos passou de 4,3% em 2015 para 16% em 2024. O relatório adverte que muitas dessas trabalhadoras poderão abandonar a atividade nos próximos anos, não apenas por atingir limites de idade, mas por restrições físicas associadas ao trabalho.
Em linguagem técnica e com base em cruzamento de dados, o documento destaca um turnover extraordinário: para suprir as saídas por idade e os efeitos do desgaste físico, uma parte substancial dos 122 mil postos adicionais deverá atender à reposição de profissionais, reforçando a dependência do mercado por mão de obra estrangeira, especialmente não comunitária. As implicações sociais e de política migratória e laboral são claras e exigem respostas coordenadas entre Estado, empregadores domésticos e mecanismos de integração e proteção social.
Conclusão factual: o cenário desenhado pelo Idos para 2029 impõe à Itália uma agenda urgente — do reconhecimento de carreiras e direitos à promoção de caminhos legais de entrada e formação — se o país pretende garantir cuidados dignos à sua população envelhecida sem transferir o colapso do sistema para as famílias.