Pesquisa confirma: jogo de tabuleiro favorece inclusão de pessoas com autismo
Estudo de Plymouth mostra que o jogo de tabuleiro favorece inclusão e bem-estar de pessoas com autismo ao criar espaço social previsível e seguro.
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Pesquisa confirma: jogo de tabuleiro favorece inclusão de pessoas com autismo
Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Plymouth concluiu que o jogo de tabuleiro atua como catalisador de inclusão e bem-estar social, com impacto particular em pessoas com autismo. A investigação, liderada por Liam Cross e Gray Atherton, da School of Psychology, analisou cinco estudos distintos e envolveu mais de 1.600 jogadores.
Os resultados, publicados no Journal of Autism and Developmental Disorders e no American Journal of Play, mostram que os jogos de tabuleiro criam um espaço social estruturado que reduz a pressão associada ao encontro interpessoal e facilita a construção de vínculos. Em linguagem direta: a dinâmica do tabuleiro — regras partilhadas, objetivos comuns, turnos e expectativas claras — oferece previsibilidade e segurança para quem encontra dificuldades em interações espontâneas.
Do ponto de vista clínico, a constatação era esperada, mas agora está documentada por dados. "O jogo de tabuleiro cria um contexto em que a relação passa por regras compartilhadas e objetivos comuns, e isso baixa a sensação de ansiedade que muitas pessoas associam à interação espontânea", afirma Vincenzo Barretta, psiquiatra e diretor científico do Centro Noesis. Em sua avaliação, este é um instrumento que a prática clínica pode valorizar porque atua diretamente no estabelecimento de laços e na confiança entre participantes.
Barretta acrescenta que atividades estruturadas como o jogo de tabuleiro ajudam a construir e manter uma socialidade que condições de sofrimento — em suas diversas formas — tendem a corroer. "Sentar-se à mesa, numa dinâmica de turnos, espera e respeito às regras, significa exercitar competências relacionais num espaço protegido", diz o especialista. Ele destaca ainda que o recurso é especialmente relevante para pessoas expostas ao isolamento: indivíduos com fragilidades psíquicas, idosos, adolescentes com dificuldades relacionais e aqueles em processos de cuidado ou reinserção social.
Do lado da indústria, a leitura coincide com a experiência de campo. "Há anos defendemos que o jogo de tabuleiro não é apenas um produto, mas um linguagem", afirma Stefano De Carolis, diretor operativo da editora Giochi Uniti, vinculada à Prossedi. Segundo De Carolis, ao sentar-se à mesa o outro deixa de ser um desconhecido e passa a ser um companheiro de partida; nesse ambiente nascem relações, confiança e senso de pertencimento. Ele observa que o estudo de Plymouth transforma impressões difusas em dados mensuráveis, fortalecendo a argumentação por políticas públicas e programas educacionais que incorporem o jogo.
Na comparação internacional, o uso de jogos de tabuleiro em escolas e serviços sociais já é prática consolidada em diversos países; na Itália, porém, o processo ainda é incipiente. A documentação científica agora disponível torna mais difícil relegar o jogo à categoria de passatempo e abre espaço para sua consideração como ferramenta de saúde pública, educação e inclusão social.
Em suma, a pesquisa de Plymouth oferece um mapa técnico: o jogo de tabuleiro atua como um ambiente previsível e estruturado onde competências sociais são praticadas sem a exposição direta que muitas pessoas com autismo e outras vulnerabilidades experimentam fora da mesa. É um raio-x do cotidiano que confirma o valor social do jogo e aponta caminhos práticos para sua incorporação em programas terapêuticos e sociais.