Mães italianas cada vez mais 'equilibristas': 58,2% trabalha e maternidade sofre penalização de 33%

Relatório Save The Children 2026: só 58,2% das mães com filhos em idade pré-escolar trabalham; penalização da maternidade é de 33%.

Mães italianas cada vez mais 'equilibristas': 58,2% trabalha e maternidade sofre penalização de 33%

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Mães italianas cada vez mais 'equilibristas': 58,2% trabalha e maternidade sofre penalização de 33%

Por Giulliano Martini — O último relatório de Save The Children, Le Equilibriste - La maternità in Italia 2026, desenha um quadro severo sobre as condições de trabalho das mães na Itália. Com base no levantamento do Polo Ricerche da organização, que cruzou fontes oficiais e estatísticas nacionais, o documento registra um retrocesso em todas as regiões do país a poucos dias do Dia das Mães.

Os dados são diretos: apenas 58,2% das mães com filhos em idade pré-escolar possui emprego. A denominada penalização associada à maternidade atinge 33%. Trata-se de uma fotografia que contradiz a narrativa de recuperação do mercado de trabalho: embora a ocupação total e feminina apresente crescimento, as mães beneficiam-se menos do movimento positivo.

Entre as mulheres de 25 a 54 anos com ao menos um filho menor, a ocupação aumentou apenas 0,1% em 2025 em relação a 2024; para os homens na mesma faixa e condição o aumento foi de 0,9%. No setor privado, a saída do mercado de trabalho é especialmente acentuada entre as mais jovens: 25% das mães com menos de 35 anos deixam o emprego no ano do nascimento do primeiro filho, contra 12% das mulheres com mais de 35.

O impacto na inatividade também é expressivo. Entre progenitores de 20 a 29 anos, 59,8% das mães é inativa — percentual que sobe para 70% quando há dois ou mais filhos — enquanto apenas 6,2% dos pais nessa faixa aparece como inativo (queda para 5,8% com dois ou mais filhos). Ainda no recorte etário, entre as mulheres de 15 a 29 anos, 60,9% não estudam, não trabalham e não participam de formação (NEET), frente a 11,3% dos pais.

As diferenças geográficas permanecem marcantes. No grupo das mães de 25 a 54 anos com ao menos um filho menor, a taxa de ocupação chega a 73,1% no Norte e 71% no Centro, mas despenca para 45,7% no Sul e nas ilhas.

O relatório também publica o Mothers' Index regional, desenvolvido em parceria com o Istat, que avalia a situação das mães em sete áreas: Demografia, Trabalho, Representação, Saúde, Serviços, Satisfação subjetiva e Violência, usando 14 indicadores oficiais. No ranking, a Emilia-Romagna sobe ao topo, ultrapassando a Província Autônoma de Bolzano; o terceiro lugar fica com o Vale de Aosta. Na extremidade oposta, a Sicília fecha a tabela.

Houve avanços regionais pontuais: o Piemonte subiu do 12º ao 8º lugar e a Calábria avançou do 18º ao 16º. Por outro lado, recuos são visíveis no Nordeste: o Friuli-Venezia Giulia caiu do 8º ao 13º lugar e o Veneto do 9º ao 12º. Molise e Lazio também perderam posições. No Mezzogiorno a situação permanece estável, porém em níveis inferiores à média nacional; o Abruzzo é a melhor colocada entre as regiões meridionais (14º), enquanto Basilicata, Puglia e Sicília figuram entre as piores.

O diagnóstico do relatório aponta para um problema estrutural: a maternidade continua a representar um obstáculo significativo à inserção e manutenção das mulheres no mercado de trabalho, com fortes diferenças por idade, número de filhos e região. A avaliação, feita com rigor técnico e cruzamento de fontes, evidencia a necessidade de políticas públicas integradas — serviços infantis, legislação laboral sensível à parentalidade e medidas de incentivo à permanência no emprego — se o país quiser reduzir a penalização e transformar o crescimento do emprego em oportunidade real para as mães.

Apuração e checagem: relatório Save The Children (11ª edição), Polo Ricerche e Istat.