Morre Paolo Fresco, executivo que ligou o Liceu Doria aos altos escalões da Fiat e da General Electric
Morre Paolo Fresco, ex-presidente da Fiat e vice-chairman da General Electric, aos 93 anos. Trajetória entre Milão, Gênova, Nova York e o "Lingotto".
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Morre Paolo Fresco, executivo que ligou o Liceu Doria aos altos escalões da Fiat e da General Electric
O mundo empresarial italiano perdeu uma das suas referências. Morreu aos 93 anos Paolo Fresco, executivo com carreira internacional que ocupou posições de topo em empresas como General Electric e Fiat. A trajetória de Fresco cruza a história industrial e cultural da Itália das últimas décadas, com passagens por Londres, Nova York e o retorno ao país natal para assumir o comando do chamado "Lingotto" em anos decisivos.
Natural de Milano e adotado culturalmente por Genova, Fresco formou-se em Direito e frequentou o Liceo Andrea Doria, instituição onde consolidou laços com figuras que viriam a marcar a cultura italiana. Estava em turma com os irmãos gêmeos Paolo e Piero Villaggio e circulava em círculos próximos a nomes como Fabrizio De André e Gino Paoli. Esses laços de juventude figuram em diversos relatos e ajudam a compor o perfil multifacetado do executivo: formação jurídica, sensibilidade cultural e visão empresarial.
A carreira profissional começou em escritórios de advocacia, incluindo o gabinete Lefebvre D’Ovidio entre Genova e Roma. A partir daí, o percurso tomou uma dimensão internacional: em 1991 veio a nomeação a vice chairman da General Electric em Nova York, cargo que precedeu anos de atuação de alto nível no grupo americano. Entre 1998 e 2003, Fresco foi apontado como o número dois da General Electric, consolidando-se como figura de referência no universo corporativo global.
O retorno ao cenário italiano ocorreu quando assumiu a presidência da Fiat. No período em que presidiu a montadora, Fresco trabalhou para projetar a empresa em perspectivas globais, segundo relatos de contemporâneos, estabelecendo pilares que influenciaram o relançamento industrial nos anos 2000. Fontes próximas à diretoria da empresa descrevem aquele período como marcado por decisões com impacto estratégico de longo prazo.
O impacto pessoal e profissional de Fresco foi lembrado por lideranças do setor. Em nota, o presidente da Stellantis, John Elkann, definiu-o como "um grande italiano, um homem inteligente e sensível", frisando também o papel de mentoria que Fresco exerceu no início de muitas carreiras. Elkann destacou a lealdade do ex-presidente à sua família e o papel que desempenhou ao abrir perspectivas mundiais à Fiat.
Fresco deixa a esposa Marlene, mencionada por Elkann na mensagem de despedida. O legado do executivo é marcado tanto pela dimensão empresarial — liderança em corporações multinacionais — quanto pela conectividade com o tecido cultural italiano, resultado de uma formação que combinou Direito, raízes genovesas e redes intelectuais.
Apuração in loco e cruzamento de fontes indicam que a morte de Paolo Fresco encerra uma carreira que servirá como referência para estudos sobre governança corporativa italiana e a internacionalização de executivos nacionais. Fatos brutos: 93 anos; posições de destaque na General Electric e na Fiat; influências culturais que remontam ao Liceo Andrea Doria. A realidade traduzida: um gestor que transitou entre mundos e deixou uma marca na indústria e na memória institucional do país.