Caso Simonetta Cesaroni: nova evidência em Via Poma sugere que alguém esteve escondido no local
Nova evidência no caso Simonetta Cesaroni: irmã afirma que alguém poderia ter estado escondido em Via Poma; DNA testado deu negativo até agora.
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Caso Simonetta Cesaroni: nova evidência em Via Poma sugere que alguém esteve escondido no local
Por Giulliano Martini — A investigação sobre o homicídio de Simonetta Cesaroni, ocorrido em 7 de agosto de 1990 no escritório de Via Poma, ganhou novo contorno a partir de um relato que reacende dúvidas centrais do caso. Em entrevista, Paola Cesaroni, irmã da vítima, afirma que, ao chegar ao apartamento onde o corpo foi encontrado, havia indícios que depois não constaram nas imagens periciais: três marcas de sangue atrás da porta que seu companheiro teria visto, mas que não aparecem nas fotografias da equipe científica.
“Nessas fotografias da Scientifica aquelas marcas não constam. Para mim existe uma explicação: quando entramos naquele escritório já havia alguém dentro”, disse Paola. A hipótese traçada pela irmã é direta e perturbadora: o assassino, ou alguém encarregado de apagar vestígios, poderia ter permanecido escondido no amplo imóvel e ter finalizado a limpeza quando as testemunhas desceram.
Em termos jornalísticos e de investigação pura, a diferença entre o relato ocular e o registro fotográfico é um fato bruto que exige cruzamento de provas. Paola também recorda o comportamento de Giuseppa De Luca, mulher do porteiro do prédio, que inicialmente afirmou não ter as chaves do apartamento e, segundo ela, as manteve atrás das costas durante a chegada da polícia. “Foi eu quem apontei: ‘ela as tem’. Um gesto que até hoje não consigo justificar”, relatou.
No plano técnico-probatório, a Procuradoria de Roma prossegue com exames. Em junho foram colhidos e comparados perfis de DNA de oito pessoas (cinco mulheres e três homens) com material genético extraído de amostras apreendidas no local do crime; os resultados, conforme fontes investigativas, foram negativos. Ao mesmo tempo, o procurador Lo Voi e a magistrada pm Lia demonstram empenho no caso, que mantém um rol de cerca de 70 pessoas para as quais foi solicitado o exame de DNA a fim de confrontar com o que foi recuperado.
O curso processual recente também contém decisões formais: em dezembro de 2024 o juiz de garantias (gip) rejeitou a arquivação pedida pela Procuradoria e determinou uma bateria adicional de diligências — análise das amostras de DNA coletadas no escritório, reexame de todo o material fotográfico e inquirição de diversos testemunhos. O inquérito permanece, formalmente, contra ignotos.
Do ponto de vista do repórter de apuração in loco, os elementos hoje divulgados recolocam no centro do tabuleiro a sequência temporal dos fatos — quem entrou primeiro, o que foi visto antes das imagens oficiais, e se houve manipulação de vestígios antes da chegada efetiva da perícia. As três estrias de sangue mencionadas por testemunhas constituem um ponto de interseção entre relato presencial e prova técnica que precisa ser esclarecido com rigor: ou há uma falha na documentação fotográfica, ou houve ação posterior de ocultação de vestígios.
Paola encerra com uma postura que traduz o sentimento da família e o compasso institucional: “Após 36 anos, ainda confio. Vejo o empenho das autoridades”. A declaração sintetiza a tensão entre a busca por respostas imediatas e a paciência forçada de quem aguarda que a verdade — alicerçada em DNA, imagens e testemunhos — venha à tona de forma incontestável.

