Onda de calor atinge Europa: criança de 18 meses morre na França e hospitais ficam saturados

Onda de calor na Europa provoca mortes, sobrecarga de hospitais e alerta climático; criança de 18 meses morre na França. Saiba onde o calor será mais intenso.

Onda de calor atinge Europa: criança de 18 meses morre na França e hospitais ficam saturados

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Onda de calor atinge Europa: criança de 18 meses morre na França e hospitais ficam saturados

Por Giulliano Martini — A onda de calor excepcional que atravessa a Europa já está deixando marcas concretas nos serviços de emergência e na vida cotidiana. Relatórios consolidados a partir do cruzamento de fontes médicas, instituições climáticas e autoridades locais mostram um aumento dos impactos sanitários e sociais que antecedem o pico previsto para os próximos dias.

Na Itália, os pronto-socorros das grandes cidades registram um acréscimo de 10% a 15% nos acessos, segundo dados compilados por hospitais e autoridades sanitárias. No Abruzzo, um homem de 81 anos sofreu um mal súbito em Montesilvano e veio a óbito em circunstâncias associadas ao calor intenso. No entanto, a situação mais grave, neste momento, acontece fora do país: na França já se contabilizam dezenas de vítimas por afogamento em locais de banho inseguros — 55 mortes relacionadas a mergulhos em águas perigosas, segundo as autoridades locais — e, isoladamente, registrou-se a tragédia de um bebê.

Em Marselha, morreu uma criança de 18 meses após ser encontrada dentro de um automóvel aquecido pelo sol. O caso ressalta riscos extremos da exposição passiva ao calor e reacende o alerta sobre segurança em veículos sob altas temperaturas.

Os hospitais franceses enfrentam pressões equivalentes a um cenário de crise: o centro hospitalar Georges Pompidou, um dos maiores de Paris, atingiu níveis de saturação, com corredores ocupados por pacientes com quadros de hipertermia não apenas entre idosos, mas também entre pessoas na faixa dos 50 e 60 anos. Na Grã-Bretanha, diversas unidades hospitalares declararam estado de emergência para gerir o impacto direto do calor extremo sobre a prestação de serviços.

O alerta climático vem de grupos técnicos: a rede internacional WWA, que reúne cientistas do clima de várias instituições, indica que 45% das cidades em 30 países já ultrapassaram, ou devem ultrapassar, os níveis máximos históricos de stress térmico. E o pior está por vir: o pico da onda de calor é previsto entre domingo e segunda-feira, quando várias áreas registrarão temperaturas muito acima da média.

No calendário nacional, para o domingo estão previstos 18 municípios com aviso máximo (bollino vermelho) e seis em nível laranja, segundo os centros meteorológicos. Em Roma, no hospital pediátrico Bambino Gesù, cerca de um em cada quatro atendimentos de emergência é direta ou indiretamente atribuível aos efeitos do calor, um indicador da pressão sobre a pediatria em grandes centros.

Especialistas alertam também para problemas estruturais que amplificam a crise: o presidente da Sociedade Italiana de Medicina de Emergência-Urgência (Simeu), Alessandro Riccardi, aponta a falta estrutural de, pelo menos, 3.500 médicos e a escassez de leitos como fatores que prolongam as permanências nos pronto-socorros.

Além da saúde, o calor compromete setores essenciais. Escolas relatam alunos passando mal durante exames e professores relatam necessidade de ventilação de emergência; o secretário da Uil Scuola, Giuseppe D'Aprile, descreve a situação como crítica. Em Veneza, a prefeitura monitora creches e escolas infantis para avaliar as condições de segurança. No campo, a Confcooperative Piemonte alerta para o risco de colapso na produção de arroz, atingida por seca, queda de preços e aumento dos custos.

Este relatório foi produzido a partir de apuração em fontes públicas, dados hospitalares e comunicação oficial de instituições climáticas. Permanecemos em acompanhamento rigoroso dos desdobramentos e atualizaremos as informações conforme novos dados forem confirmados.