Papa Leone XIV na sua primeira Vigília Pascal: “Não nos deixemos paralisar pelas guerras”
Papa Leone XIV, em sua primeira Vigília Pascal, pede que não sejamos paralisados por guerras e convoca a abrir sepulcros da desconfiança e do ódio.
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Papa Leone XIV na sua primeira Vigília Pascal: “Não nos deixemos paralisar pelas guerras”
Por Giulliano Martini — Apuração in loco a partir da Basílica Vaticana. Na noite santa de Páscoa, Papa Leone XIV presidiu a sua primeira Vigília Pascal na Basílica de São Pedro e lançou um apelo direto contra as forças que aprisionam a esperança coletiva. O rito, com a benção do fogo e a preparação do Círio Pascal, seguiu a sequência tradicional: procissão com o círio aceso, canto do Exsultet, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística concelebrada com cardeais.
“O santo mistério desta noite dissipa o ódio, dobra a dureza dos poderosos, promove a concórdia e a paz”, disse o Pontífice ao situar a celebração na vitória da luz sobre as trevas. Citando o gesto ritual — do qual todos acendem suas lâmpadas a partir de um único fogo — o Papa sublinhou o caráter comunitário da chama: “É o sinal da luz pascal, que nos une na Igreja como lâmpadas para o mundo”.
No discurso, Leone XIV traçou um raio-x da contemporaneidade: “Também hoje não faltam sepulcros a serem abertos, e muitas vezes as pedras que os fecham são tão pesadas e bem vigiadas que parecem imóveis”. O Pontífice identificou essas ‘pedras’ com entraves tanto internos quanto externos. Entre as barreiras interiores estão a desconfiança, o medo, o egoísmo e o rancor; entre as consequências externas, disse ele, figuram a guerra, a injustiça e o fechamento entre povos e nações.
O tom do pronunciamento foi de convocação prática: “Não nos deixemos paralisar”. Leone XIV recordou a trajetória de homens e mulheres que, com a ajuda de Deus e por vezes ao custo da própria vida, retiraram essas pedras e produziram frutos de bem-estar coletivo que permanecem até hoje. “Não são personagens inalcançáveis, mas pessoas como nós que, fortes da graça do Ressuscitado, falaram ‘com palavras de Deus’ e agiram ‘com a energia recebida de Deus’”, citou o Papa, referindo-se à exortação apostólica de Pedro.
O apelo final foi objetivo e acionável: inspirar-se nesses exemplos e assumir, na Noite Santa, um compromisso renovado para que os dons pascais — concordia e paz — cresçam e floresçam em todo o mundo. A mensagem, proferida em uma celebração marcada pela liturgia mais antiga da tradição cristã, adotou um registro de clareza técnica e verificação de fatos: identificar os problemas, nomeá-los e convocar ações concretas guiadas pela fé e pela caridade.
Da cobertura no interior da Basílica, a narrativa em destaque é esta: em uma vigília que recupera símbolos milenares, o Papa Leone XIV chama a comunidade a não aceitar o imobilismo diante das crises contemporâneas. É uma chamada à ação, com base em fatos brutos e em precedentes históricos de resistência e reconstrução. Limpeza de narrativas, precisão terminológica e cruzamento de fontes orientaram a cobertura desta noite.