Polícia italiana derruba site cFake que divulgava deepfakes sexuais com uso de inteligência artificial

Polícia italiana bloqueia cFake.com por divulgação de deepfakes sexuais gerados com inteligência artificial envolvendo figuras públicas.

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GERADO EM: Jun 28, 2026 às 00:06

Polícia italiana derruba site cFake que divulgava deepfakes sexuais com uso de inteligência artificial

A Polizia di Stato da Itália bloqueou o domínio cFake.com, uma plataforma que difundia conteúdos sexuais gerados por inteligência artificial, em uma operação coordenada pela Procuradoria de Roma. A investigação, iniciada em outubro de 2025, revelou que o site continha materiais de figuras públicas, como a primeira-ministra Giorgia Meloni e a influenciadora Chiara Ferragni, manipulados com técnicas de deepfake. O Tribunal de Roma determinou o sequestro prévio da plataforma, e ação similar foi solicitada às autoridades americanas para punir violações federais. O caso destaca a necessidade de melhorar a legislação sobre proteção de imagem e a cooperação internacional no combate ao uso abusivo de IA. Investigações ainda estão em andamento.

Fique por dentro de todos os pontos deste artigo lendo a versão completa a seguir.

Roma — Em uma operação coordenada e técnica, a Polizia di Stato obteve o bloqueio no território nacional do domínio cFake.com, plataforma identificada como veículo de difusão de imagens e vídeos de teor sexual gerados ou manipulados por inteligência artificial. A ação, conduzida pelo Servizio polizia postale e per la sicurezza cibernetica sob coordenação da Procuradoria da República de Roma, é resultado de investigação iniciada em outubro de 2025 após múltiplas denúncias.

Os conteúdos veiculados no site envolviam figuras públicas. Entre as vítimas identificadas pelos investigadores constam a primeira‑ministra Giorgia Meloni, a influenciadora Chiara Ferragni e a dirigente política Elly Schlein, além de nomes do entretenimento e do esporte, como Laura Pausini, Federica Pellegrini e Tania Cagnotto. Investigadores apontam que os materiais tinham aparência verossímil em grande parte por técnicas de deepfake e ajustes com algoritmos de IA.

Segundo o relatório técnico anexado ao inquérito, a plataforma apresentava interface em inglês e acesso condicionado a uma autocertificação de maioridade. O cruzamento de dados e os exames periciais permitiram rastrear a infraestrutura de hosting até servidores localizados nos Estados Unidos. Em novembro de 2025, o Tribunal de Roma, a pedido da Procuradoria, determinou o sequestro preventivo da plataforma, aplicado na prática por meio do seu oscuramento em território italiano.

As investigações prosseguem com medidas de cooperação internacional. A unidade americana Homeland Security Investigations (HSI) comunicou ter solicitado ao Departamento de Justiça dos EUA a adoção de providências para o sequestro do domínio, por possível violação de normas federais. Fontes oficiais qualificaram a ação como resultado do trabalho conjunto entre autoridades judiciárias e policiais de diferentes jurisdições para combater o abuso de tecnologias de IA.

O caso reforça questões centrais do combate à circulação não consensual de conteúdo sexual criado artificialmente: identificação de responsáveis, limites jurisdicionais em ambiente de hosting transnacional, e velocidade de reação entre órgãos nacionais e parceiros internacionais. A investigação conduzida em Roma seguiu critérios técnicos rigorosos, com perícias digitais, rastreamento de logs e análise dos fluxos de dados — etapas fundamentais para obter medidas judiciais eficazes.

Do ponto de vista jurídico, o episódio abre discussão sobre a tutela da imagem e da dignidade de figuras públicas frente a deepfakes, e sobre a necessidade de instrumentos legais e técnicos mais céleres para o bloqueio e remoção de conteúdos lesivos quando a infraestrutura está fora do país. Operadores de plataforma e provedores de serviços em nuvem são, nos casos transfronteiriços, pontos nodais nessa teia.

Esta operação contra o cFake.com é apresentada pelos investigadores como um exemplo de cooperação internacional na repressão ao uso ilícito da inteligência artificial para a produção e difusão de conteúdos sexualmente explícitos sem consentimento. O procedimento judicial e os desenvolvimentos de cooperação com as autoridades americanas seguem sob sigilo parcial enquanto prosseguem diligências técnicas e processuais.

Apuração in loco e cruzamento de fontes: a realidade traduzida em fatos brutos, com foco técnico e juridicamente verificado.