Processo Regeni: Avvocata da família afirma 'mãos nuas contra o regime'; Palazzo Chigi pede €2 milhões
No julgamento por Giulio Regeni, família fala em 'mãos nuas contra o regime'; Avvocatura dello Stato pede €2 milhões e procurador detalha torturas.
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Processo Regeni: Avvocata da família afirma 'mãos nuas contra o regime'; Palazzo Chigi pede €2 milhões
Por Giulliano Martini. Em apuração in loco no aula bunker do presídio de Rebibbia, em Roma, retomou-se o julgamento pelo assassinato de Giulio Regeni, com os quatro agentes dos serviços secretos egípcios acusados de sequestro, tortura e homicídio. A audiência registrou a presença da secretária nacional do PD, Elly Schlein, e teve intervenções centrais da defesa da família e da Avvocatura dello Stato.
A advogada Alessandra Ballerini, representante dos pais de Regeni, abriu sua fala lembrando as recentes solicitações de condenação apresentadas pelos procuradores. 'Ontem tivemos as richieste di condanna. Um passo importante, fruto de uma ricostruzione eccezionale. Hoje nos cabe expor nosso ponto de vista', afirmou, em tom direto e técnico.
O procurador de Roma, Francesco Lo Voi, reiterou a falta de colaboração das autoridades egípcias com as investigações. Lo Voi também trouxe à audiência a conclusão técnica sobre a morte do pesquisador: morreu após sofrimentos atrozes, em consequência de torturas que, segundo a acusação, se estenderam por cerca de uma semana.
No mesmo dia, a Presidência do Conselho dos Ministros, por meio da Avvocatura dello Stato, requereu em juízo a condenação ao pagamento de dois milhões de euros de indenização pelos danos causados à comunidade italiana e aos direitos fundamentais dos cidadãos. Em seu pronunciamento, a Avvocatura sublinhou que o crime atingiu profundamente a coletividade nacional e violou garantias constitucionais de tutela e liberdade, inclusive no exterior.
A advogada Ballerini detalhou o perfil de Giulio Regeni: um pesquisador dedicado ao convívio e ao estudo, não um espião nem conspirador. 'Giulio dedicava tempo à partilha com amigos; não tramava contra o regime. Não foi uma imprudência: Giulio fazia perguntas', afirmou, traçando um quadro técnico e contido do rapaz cujo desaparecimento levou a uma investigação internacional.
Ao relatar o sofrimento da família, Ballerini afirmou que Paola, Claudio e Irene, bem como amigos próximos, prestaram depoimentos que condensaram a dor e a busca por respostas. 'Nestes anos compreendi quem perdeu a Itália ao perder Giulio: todos sofremos um dano', disse a advogada, defendendo que o processo deve converter essa dor em justiça mensurável.
Uma das imagens mais fortes da sustentação da defesa foi a fórmula usada por Ballerini: a família Regeni 'lutou a mãos nuas contra o regime egípcio', sem perder a dignidade nem sucumbir ao ódio. A conduta da família, segundo a advogada, sempre foi pautada pela exigência de 'verità e giustizia', sem apelos a vinganças.
Ballerini também relatou as pressões sofridas pelos parentes desde o desaparecimento: encontros forçados com representantes governamentais, contatos com interlocutores egípcios e episódios de perseguição e ameaças. A narrativa apresentada em tribunal buscou demonstrar a continuidade do dano moral e institucional padecido desde 2016.
O andamento do processo e as intervenções técnicas dos procuradores e das defesas seguem sendo acompanhadas com rigor pelo tribunal. A expectativa na corte é que a instrução transforme as provas e os depoimentos em uma decisão que, além de penal, reconheça a extensão do dano coletivo e individual causado pela morte de Giulio Regeni.
Relato e cruzamento de fontes: reportagem em sala de audiência, análise de pronunciamentos oficiais e dos autos do processo. A cobertura prossegue com atualização dos desenvolvimentos judiciais.