Quatro médicos vão a julgamento pela morte de Andrea Purgatori; família aponta erros graves

Quatro médicos respondem por homicídio culposo na morte de Andrea Purgatori; família aponta erro em ressonância e omissão de endocardite tratável.

Quatro médicos vão a julgamento pela morte de Andrea Purgatori; família aponta erros graves

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Quatro médicos vão a julgamento pela morte de Andrea Purgatori; família aponta erros graves

O juiz das investigações preliminares Paola Petti determinou o renvio a julgamento dos quatro médicos que atenderam o jornalista e autor Andrea Purgatori, falecido em julho de 2023. Após longa audiência e oitiva de todas as partes, a magistrada aceitou a acusação de homicídio culposo apresentada contra os profissionais.

Segundo a peça acusatória, elaborada após perícia encomendada pela promotoria, Purgatori — que já convivia com um tumor pulmonar — teria recebido diagnósticos equivocados que alteraram o curso esperado de sua doença. Os investigadores sustentam que foram relatadas, de maneira indevida, metástases cerebrais inexistentes e, ao mesmo tempo, negligenciadas outras manifestações clínicas relevantes.

Em destaque na investigação está a falha no laudo da ressonância magnética realizada em 8 de maio de 2023. Os peritos classificaram o episódio como um dos erros cruciais: os neurorradiologistas não teriam referido corretamente o exame, impedindo o reconhecimento de sinais que demandavam condutas diferentes.

Mais grave, de acordo com a denúncia dos filhos do jornalista — apresentada pelos advogados Michele e Alessandro Gentiloni —, foi a omissão do diagnóstico de endocardite infecciosa, condição que, segundo a perícia, poderia ter sido tratada com um antibiótico comum e possivelmente evitado o óbito.

Vão responder criminalmente no processo o radiologista Gianfranco Gualdi, seu assistente Claudio Di Biasi, a médica da equipe Maria Chiara Colaiacomo e o cardiologista Guido Laudani. A audiência de instrução está agendada para 12 de janeiro de 2027, quando se dará início ao julgamento pelo crime de homicídio culposo.

Ao ordenar o prosseguimento da ação penal, o juiz Petti rejeitou as diversas exceções de nulidade suscitadas pelas defesas. A acusação aponta, em síntese, imperícia, negligência e imprudência no manejo clínico do paciente, culminando em uma morte que a perícia descreveu como resultado de "uma catastrófica sequência de erros e omissões".

"Máxima satisfação pelo renvio a julgamento de todos os imputados e das clínicas privadas. Uma decisão que confirma a convicção de que, na gestão sanitária de Andrea Purgatori, foram cometidos a vários níveis graves erros", declarou o advogado Alessandro Gentiloni Silveri, representando os familiares.

O caso concentra questões técnicas e processuais que serão avaliadas no julgamento: a interpretação de imagens de neuroimagem, o fluxo de comunicação entre equipes clínicas, e a rapidez de resposta a sinais de infecção sistêmica em um paciente oncológico. A apuração in loco, o cruzamento de fontes e a perícia médico-legal serão determinantes para estabelecer responsabilidades.

Como correspondente com longa vivência na Itália, mantenho acompanhamento próximo do processo e do trâmite nas varas competentes. A realidade traduzida pelos autos aponta para um conflito entre condutas médicas e padrões esperados de cuidado, que agora terá sua resposta no rito penal.

Atualizações serão publicadas conforme novos atos processuais e decisões judiciais forem proferidas.