34 anos da Strage di Capaci: homenagens em Palermo renovam compromisso com a legalidade
Homenagens em Palermo marcam 34 anos da Strage di Capaci; autoridades e centenas de estudantes renovam compromisso com a legalidade.
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34 anos da Strage di Capaci: homenagens em Palermo renovam compromisso com a legalidade
Apuração in loco e cruzamento de fontes: nesta manhã em Palermo foram realizadas cerimônias oficiais e manifestações públicas em memória da Strage di Capaci, que há 34 anos tirou a vida do magistrado Giovanni Falcone, da esposa Francesca Morvillo e dos polícias da sua escolta, Vito Schifani, Rocco Dicillo e Antonio Montinaro.
Pela manhã, uma coroa de louros foi colocada na estela que recorda as vítimas por representantes do governo e das instituições: os ministros do Interior e da Justiça, Matteo Piantedosi e Carlo Nordio, o chefe da polícia, Vittorio Pisani, e a presidente da Comissão Antimafia, Chiara Colosimo. Cerca de uma hora depois houve cerimônia análoga com a presença do vice‑presidente da Câmara, Giorgio Mulè.
Ao mesmo tempo, centenas de estudantes se reuniram em frente ao Palácio de Justiça num gesto coletivo de memória e educação cívica. A mobilização foi organizada pela Rete per la cultura antimafia nella scuola, com o apoio do Conselho da Ordem dos Advogados de Palermo e da seção local da Associação Nacional dos Magistrados. Participaram 25 instituições de ensino sicilianas, além de escolas vindas de Biella, Sant'Antimo (Nápoles), Terni e Sant'Egidio alla Vibrata (Teramo). Também integraram a iniciativa as associações Libera Palermo e o Comitato Addiopizzo.
As alunas e os alunos presentes realizaram apresentações com canções, danças, leituras e performances teatrais. Faixas e cartazes registravam leituras diretas e sem eufemismos: "Falcone, Morvillo, Montinaro, Dicillo, Schifani... Presenti!"; "Giovanni Falcone vive nei nostri passi"; e camisetas brancas com o apelo "Legalità". Grande parte dos participantes chegou em cortejo, embalado pela canção "Cento passi", hino ligado à memória de Peppino Impastato e símbolo de resistência à máfia. O cortejo partiu de via Serradifalco e seguiu até a praça Vittorio Emanuele Orlando, culminando no abraço simbólico ao Palácio de Justiça.
Durante as cerimônias, Maria Falcone, presidente da Fondazione Falcone, falou no Museo del Presente. "Este museu é um sonho realizado depois de 34 anos", afirmou, acrescentando que ali será lembrada e transmitida a história da luta antimáfia às futuras gerações. "Aos jovens, quando se conta a sua história, eles respondem com maior atenção. O dia da legalidade deve ser momento de falar da luta contra a máfia — sem a ilusão de que a batalha está vencida, mas com a obrigação de manter viva a lembrança".
As homenagens oficiais e as iniciativas cívicas desta manhã renovam o compromisso público com a justiça e a memória das vítimas. Autoridades, magistrados, policiais, estudantes e organizações civis confrontaram os fatos brutos daquele 23 de maio de 1992 e reafirmaram, no espaço público, a prioridade da legalidade e da educação antimafia como ferramentas permanentes de prevenção e resistência.