Stragi di mafia: ex-companheira de Alberto Lo Cicero depõe em Caltanissetta sobre encontros com Delle Chiaie e agressões
Depoimento de Maria Romeo em Caltanissetta reabre fatos sobre encontros com Delle Chiaie e agressões envolvendo Alberto Lo Cicero nas investigações das stragi di mafia.
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Stragi di mafia: ex-companheira de Alberto Lo Cicero depõe em Caltanissetta sobre encontros com Delle Chiaie e agressões
Por Giulliano Martini — Em novo capítulo das investigações sobre as stragi di mafia, a audiência desta segunda-feira no tribunal de Caltanissetta centrou-se no longo exame de Maria Romeo, ex-companheira do colaborador de justiça Alberto Lo Cicero. A ré responde por declarações consideradas falsas aos procuradores que apuram os atentados de Capaci e da via D'Amelio.
O depoimento percorreu o período entre 1988 e 1996, quando a mulher encerrou a relação com Lo Cicero. Em narrativa direta e sem floreios, Maria Romeo afirmou ter encontrado Stefano Delle Chiaie em 1988 e mais uma vez semanas antes da explosão em Capaci. Segundo ela, ao voltar para casa e informar a Alberto Lo Cicero que seu irmão Domenico estava na casa da mãe com Delle Chiaie, sofreu agressões físicas: "quando contei, levei as botte e fui impedida de ir à casa da minha mãe".
Relatos e anedotas ilustraram o depoimento: alguns reforçados por fotografias, outros sem referência temporal precisa. O procurador adjunto Pasquale Pacifico destacou uma inconsistência sobre o primeiro encontro com Delle Chiaie, lembrando que, naquele período indicado por Romeo, o militante estava preso. A ré justificou-se invocando memória afetiva: "Eu tinha a filha pequena — e lembro daqueles anos", disse.
As bases do processo se apoiam, conforme a própria depoente, em relatos que ela passou aos carabinieri no início de 1992, após a explosão em via D'Amelio, que vitimou o juiz Paolo Borsellino e os agentes de sua escolta — episódio que colocou Alberto Lo Cicero formalmente no programa de proteção. "Eu contava tudo a Giustini ou ao maresciallo Coscia. Acreditei no Estado, então entreguei Alberto. Eu queria vestir a farda quando era menina. Hoje não sei se faria a mesma escolha", declarou a ré, em tom de amargura.
O roteiro investigativo descrito por Romeo inclui desde confidências iniciais até a instalação de microfones ambientais em sua residência para captar conversas entre ela e Lo Cicero, e, por fim, a transição do parceiro para a condição de colaborador. "Mas havia quem dissesse que Lo Cicero contava coisas não verdadeiras", reiterou em juízo.
Romeo revisitou episódios já levados à Procuradoria Geral de Palermo e aos promotores de Caltanissetta, mas reconheceu vacilações em seus depoimentos: "Quando fui interrogada, arrancaram minha sobrinha dos meus braços — foi um momento muito particular da minha vida. Eu disse desde o início que poderia ter me enganado". Essa admissão aparece nos autos como uma das razões pelas quais há discrepâncias entre verbais e depoimentos posteriores.
Entre as memórias pessoais, a ré relatou ter conhecido Salvatore Riina na crisma do filho de Mariano Tullio Troja. "Naquela altura eu não o reconheci — parecia-me um pecoraio. Depois, ao ver sua prisão na televisão, o associei", afirmou. No mesmo depoimento, Romeo disse que Lo Cicero teria feito juramento para a Cosa Nostra na prisão, na presença de Ruggero Vernengo.
O conjunto de relatos agora submetidos ao crivo do Tribunal representa um novo capítulo processual no qual a apuração in loco e o cruzamento de fontes serão determinantes. Os fatos brutos apresentados em audiência exigem verificação cronológica precisa e cotejo documental: é o raio-x do cotidiano judiciário convertido em prova ou contradição.
O presidente do colegiado é o juiz Francesco D'Arrigo. O processo segue em fase de instrução, com novas oitivas e exame das provas técnicas previstas para as próximas sessões.