Água, mar e naufrágios no teatro de Shakespeare: conferência-espetáculo de Giuseppe Manfridi em Milão (21/05/2026)
Giuseppe Manfridi apresenta em Milão a conferência-espetáculo sobre água, mar e naufrágios no teatro de Shakespeare, inspirada em Shakespeare sul Titanic.
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Água, mar e naufrágios no teatro de Shakespeare: conferência-espetáculo de Giuseppe Manfridi em Milão (21/05/2026)
Por Chiara Lombardi, Espresso Italia
No dia 21 de maio de 2026, em Milão, o dramaturgo e ensaísta Giuseppe Manfridi apresenta a conferência-espetáculo Água, o mar e os naufrágios no teatro de Shakespeare. A proposta mergulha nas correntes simbólicas que percorrem o universo do Bardo, onde o elemento aquático funciona ora como força devastadora, ora como recurso de salvação e memória.
O espetáculo parte de um capítulo do livro Shakespeare sul Titanic, de autoria do próprio Manfridi, publicado por Efesto Editore e agora relançado em versão econômica. Inspirado por passagens como a famosa observação de T. S. Eliot sobre o 'sabor de algas' que permeia Pericles, príncipe de Tiro, o projeto revela como a imagem do mar atravessa textos shakespearianos até contaminar narrativas modernas — inclusive o mito contemporâneo do Titanic e seu naufrágio monumentalizado pela memória coletiva.
Patrocinado pelo Centro Nazionale di Drammaturgia Italiana Contemporanea — CENDIC — e pela Federazione AUT — Autori, o encontro prometeu uma leitura performática e crítica: não se trata apenas de uma aula, mas de uma experiência cênica que reconstrói o 'roteiro oculto' das águas na dramaturgia shakespeariana. O evento explora temas caros a Manfridi, como o amor, a juventude, os choques geracionais e a contínua transformação das formas artísticas, mostrando o quanto a arte se contamina e se reinventa através de ícones e catástrofes.
Como observadora do zeitgeist que cruza memórias europeias e brasileiras, vejo nesse tipo de encontro um reflexo profundo: o mar no teatro de Shakespeare atua como espelho do nosso tempo, onde incertezas, travessias e naufrágios — literais e simbólicos — reconfiguram identidades e narrativas. A conferência-espetáculo é, portanto, um convite a ler as crônicas que tornaram-se mito sob a lente da história cultural, descobrindo como dramas antigos ressoam em eventos 'modernos' que seguiram navegando nas mesmas ondas emocionais.
Para quem acompanha a trajetória de Manfridi, Shakespeare sul Titanic aparece como um compêndio que reúne esse percurso artístico: de linguagem translúcida, o livro permite ser aberto em qualquer ponto, oferecendo lampejos de um pensamento que atravessa séculos. Em cena, essas ideias ganham corpo e voz, transformando leituras em paisagens sonoras e visuais onde o público é levado a sentir o 'sabor de algas' nas próprias memórias.
O encontro em Milão reafirma a relevância de ler o passado teatral não como documento estanque, mas como um universo fluido que nos ajuda a entender os naufrágios — e as salvatagens — da contemporaneidade.