Angelo Pisani conta luta contra a depressão e o novo espetáculo 'Slip&Strip': “Eu e Katia Follesa estamos separados, mas com carinho”
Angelo Pisani fala sobre depressão após Zelig, a separação de Katia Follesa e o novo show 'Slip&Strip' que enfrenta tabus sobre sexualidade.
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Angelo Pisani conta luta contra a depressão e o novo espetáculo 'Slip&Strip': “Eu e Katia Follesa estamos separados, mas com carinho”
Por Chiara Lombardi — Em um diálogo que soa como um espelho do nosso tempo, Angelo Pisani abre o roteiro íntimo de uma vida marcada por risos — e por um silêncio muito mais denso. O ator e comediante, conhecido por personagens como a Capsula e pela explosão midiática depois de Zelig, está novamente em cena com Slip&Strip, um quiz teatral que provoca, informa e ri de tabus ligados à sexualidade. A peça passa por várias cidades e chega a Milão no dia 18 de abril, no teatro Della Quattordicesima.
O formato é desarmante: participantes do público respondem perguntas e, se perderem, são convidados a se despir — com opções para preservar a intimidade, como o uso de um separé ou um roupão. “A ideia precisava de um condutor com improviso e tom irônico”, conta Pisani. “Quando me propuseram, percebi que era o momento certo: sempre quis também ser apresentador, além de comediante.”
Mas o livro da vida fora do palco revela capítulos mais obscuros. Depois do sucesso meteórico, Angelo Pisani admite ter atravessado “um buco nero”: a fama precoce após Zelig trouxe uma redução dolorosa da identidade. “As pessoas viam só a máscara que eu vestia em Pali e Dispari. Não estava estruturado para isso e acabei caindo num buraco: não saía mais de casa”, lembra. Foi o início de um percurso de cuidado que segue até hoje — um processo de cura que, em termos quase cinematográficos, reescreveu sua narrativa pessoal.
Do ponto de vista afetivo, a vida também mudou. Depois de 23 anos, Pisani e a companheira Katia Follesa optaram pela separação. A decisão, amadurecida mesmo durante turnês conjuntas, não cancelou laços: “Ela e minha filha continuam sendo o grande amor da minha vida. Para mim, ela permanece família; temos um equilíbrio bonito”. A separação, explica ele, foi antes um reconhecimento de que o amor havia se transformado — um reframe da realidade que é doloroso e, ao mesmo tempo, civilizado.
O retorno de Pisani aos palcos e às redes tem também um gesto simbólico: reviver a Capsula em um vídeo para afirmar que não é mais escravo de um personagem. “Fiz isso para dizer a mim mesmo que superei a prisão daquela imagem”, diz. É a mesma vontade que o levou a aceitar Slip&Strip — um projeto que mistura humor e educação sexual, e que busca desmontar estigmas com leveza e inteligência.
Na trajetória de Pisani há o eco de uma semiótica do viral e o roteiro oculto da sociedade: a expectativa pública que consome identidades, a necessidade de reconstrução e a possibilidade de reinvenção. Hoje, quase 50 anos, ele reconhece as cicatrizes e segue compondo novos atos, entre plateias que reaprendem a vê-lo — e entre palcos que reverberam tanto o riso quanto a responsabilidade de falar sobre temas íntimos com respeito.
Para além do espetáculo, a história de Angelo Pisani é uma reflexão sobre fama, saúde mental e os muitos modos de amar. Como numa cena bem dirigida, o presente reescreve o passado sem apagá-lo; o artista transforma o trauma em ferramenta estética e social, convidando o público a olhar para os tabus com curiosidade sofisticada e empatia.