Antonio Preziosi, diretor do Tg2: dos bastidores de Roma ao microfone de Fiorello — «Caprarica não me largava o escritório»

Antonio Preziosi, diretor do Tg2, fala sobre carreira na Rai, cobertura de governos e o 50º aniversário do telejornal. Reflexões sobre jornalismo e memória.

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Antonio Preziosi, diretor do Tg2: dos bastidores de Roma ao microfone de Fiorello — «Caprarica não me largava o escritório»

Antonio Preziosi, que completa 60 anos na próxima segunda-feira e dirige o Tg2 desde maio de 2023, concede uma entrevista que é ao mesmo tempo um testemunho profissional e um pequeno ensaio sobre o jornalismo como espelho do nosso tempo. Entrado na Rai em 1994 após a rigorosa seleção da escola de jornalismo de Perugia, ele insiste: «Eu nunca tive sponsor» — uma afirmação que ecoa como uma defesa da meritocracia institucional numa época de redes e atalhos.

No currículo de Preziosi há três décadas como repórter parlamentar, passagens como vaticanista — «me considero um estudioso do tema, observo com muita atenção o que se move além do Tibre» — e períodos como correspondente em Bruxelas. Já dirigiu outras redações, entre elas Radio1, GR Parlamento e Rai Parlamento. A experiência o tornou um observador afinado das nuances do poder: «Com Prodi a técnica era dar tempo; a notícia muitas vezes vinha no final da entrevista. D’Alema era mais espinhento: era preciso segui-lo com paciência. Amato, com o seu porta-voz Gastone Alecci — que apelidávamos de portasilenzi — sintetizava tudo em 20 segundos», recorda.

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Sobre Berlusconi, Preziosi entrega uma imagem em que jornalismo e espetáculo se encontram: «Nunca voltávamos para casa sem uma notícia. Era o político mais fácil, paradoxalmente, mas fisicamente extenuante — dava-nos muito trabalho». Essas memórias funcionam como um roteiro oculto da história política italiana: personagens que definiram formatos, crises e também práticas jornalísticas.

O Tg2 celebra 50 anos, e o diretor fala da herança que recebeu: «Uma máquina que funciona há meio século. Para mim, três características são fundamentais: clareza de linguagem, completude da informação e imediaticidade». Uma linha editorial que remete a tradições presididas por nomes como Piero Angela, primeiro a conduzir a edição inaugural, e por programas e rubricas que trouxeram temas sociais adiante — lembra-se de figuras como Maria Grazia Capulli e de abordagens precursoras sobre inclusão e igualdade de gênero quando o país ainda não as discutia com tanta atenção.

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Não faltam episódios mais leves. Preziosi conta que «inundou de mensagens» o entertainer Fiorello para tê-lo na rádio e confessa, com humor, que Caprarica não o deixava ocupar o escritório. Sobre a vida pessoal, a pergunta sobre Tajani como potencial testemunha de casamento é respondida com simplicidade: «Somos amigos há mais de 25 anos» — a intimidade entre jornalista e figuras públicas atravessa, assim, a linha tênue entre o profissional e o pessoal.

Há ainda uma frase que resume a sua atitude pública: «Não me aborreço, mas faço os nervos saltarem de quem me ataca». Uma declaração que, lida com lentes culturais, traduz a estratégia de quem prefere a firmeza editorial ao teatro do escândalo.

Como analista cultural, não posso deixar de ver nessa trajetória um espelho da transformação do jornalismo italiano: do rigor institucional da escola de Perugia, pelos corredores do parlamento e do Vaticano, até as câmeras e microfones que agora procuram traduzir a velocidade do presente. O Tg2 de Preziosi parece querer ser, nesse cenário, um reframing da notícia — oferecendo profundidade sem sacrificar a clareza, numa época em que o público pede contexto tanto quanto quer rapidez.

O convite final de Preziosi é editorial e quase cinematográfico: manter a compostura, contar as histórias por completo e lembrar que a informação é, sempre, um ato de responsabilidade cívica. É um roteiro que olha para frente sem renegar as imagens e os sons que moldaram a memória coletiva das últimas décadas.

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