Arisa: da dor da imagem à liberdade criativa — novo álbum 'Foto Mosse' e recomeço
Arisa fala sobre sofrer com a imagem, seu novo álbum 'Foto Mosse' e a liberdade de se reinventar. Entrevista exclusiva e reflexiva.
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Arisa: da dor da imagem à liberdade criativa — novo álbum 'Foto Mosse' e recomeço
Por Chiara Lombardi — Em um momento em que a visibilidade é ao mesmo tempo vitrine e tribunal, Arisa descreve ao Espresso Italia uma trajetória que é espelho do nosso tempo: um percurso íntimo onde a estética, a crítica pública e a música se entrelaçam no roteiro oculto da sociedade. Em entrevista ao vodcast da publicação, a cantora fala com a franqueza que lhe é característica sobre o novo álbum Foto Mosse — um 'relato sem embelezamentos' que chega às plataformas em 17 de abril e que será levado a palco em turnê.
Para quem lembra do impacto de Sincerità, as lembranças não são apenas prêmios e holofotes. 'Depois de "Sincerità" me zoavam na rua', conta Arisa, recordando episódios que marcaram sua relação com a própria imagem. Ela relembra, com a precisão emocional de quem guarda memórias em negativos sensíveis, o comentário de uma caixa em São Lorenzo, Roma: 'Certo que na televisão é feia, mas ao vivo é mesmo um sapo'. 'E eu estava ali', diz a artista, expondo a ferida que o olhar alheio infligiu.
Outro ataque de sentimento público veio nas ruas: 'Pegava os transportes e me chamavam de "barbona, por que pega os ônibus? Mas você é uma barbona?"'. A repetição dessas humilhações construiu uma imagem de vulnerabilidade que, admite ela, foi explorada por quem a via apenas como 'a tola'.
Houve uma virada entre 2011 e 2012. 'Eu disse "espera um pouco"', recorda Arisa. A transformação foi quase cinematográfica: de personagem fragilizada a alguém 'muito irritada com tudo', uma estratégia de defesa que a fez endurecer. Hoje o tom é outro. Com mais consciência e liberdade, ela afirma: 'Com a minha imagem eu faço o que eu quero'. A necessidade de mudar, diz, é também fonte de reinvenção: 'Até certa idade eu queria ser de um jeito, agora quero ser de outro. Eu preciso mudar para encontrar nova vitalidade'.
Nas redes, muitos notaram as mudanças no corpo: 'Agora quero ser magra, quero essa fisicalidade, ponto', confessa. Mas a couraça atual não elimina as fragilidades antigas. O tempo, tema recorrente na sua obra, a assusta. 'Me acontece acordar à noite sem ar se penso no dia em que terei que viver sem o amor profundo, aquele que realmente me preenche, o das pessoas queridas'.
O novo capítulo profissional se iniciou com o Festival de Sanremo, onde a canção Magica Favola garantiu a quarta posição e reacendeu em Arisa uma imersão criativa rara. 'Este festival foi tão bonito que me deixou uma espécie de mal d'Africa quando acabou', descreve. 'Há muito tempo não vivia uma condição tão imersiva na criatividade, na música — inclusive na música dos outros. Havia um clima bonito, como se fosse uma excursão escolar. Para mim, foi uma linda revirada'.
Entre televisão — com aparições em Canzonissima na Rai 1 — e estúdios, Foto Mosse surge como um capítulo de maturidade: canções que conversam com amor, imagem e tempo, e um desejo claro de controlar a própria narrativa. A artista transforma a antiga ferida pública em matéria-prima sonora, convidando o público a escutar não só a voz, mas o contorno da história que ela escolhe contar.
Essa é Arisa hoje: menos personagem passiva do que arquiteta do próprio espelho. Sua trajetória segue sendo um reflexo cultural — uma semiótica do viral e um reframe da realidade onde, finalmente, ela dita as regras da cena.