Barbra Streisand emociona no Oscar 2026 ao relembrar Robert Redford cantando 'The Way We Were'
Barbra Streisand emociona no Oscar 2026 ao cantar 'The Way We Were' em homenagem a Robert Redford, relembrando legado artístico e ativismo.
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Barbra Streisand emociona no Oscar 2026 ao relembrar Robert Redford cantando 'The Way We Were'
Em um dos momentos mais comoventes da 98ª edição da cerimônia, Barbra Streisand subiu ao palco do Dolby Theatre para prestar uma homenagem íntima a Robert Redford, que morreu em setembro passado aos 89 anos. No tradicional segmento "In Memoriam", Streisand não só evocou a carreira e o legado do ator, como ofereceu sua voz para interpretar a canção que marcou a parceria histórica entre os dois: 'The Way We Were'.
Os laços entre os artistas remontam a 1973, quando foram protagonistas do clássico dirigido por Sydney Pollack, conhecido no Brasil como "Come eravamo". Em sua fala, Streisand ressaltou dimensões menos óbvias da figura pública de Redford: seu ativismo em defesa da liberdade de imprensa, seu empenho pela preservação ambiental e o apoio às novas vozes do cinema. "Bob tinha coragem, na tela e fora dela", disse ela, traçando um retrato que vai além do astro de Hollywood e o coloca como agente cultural e político.
Com o tom de quem conversa entre goles de café em uma praça romana, Streisand chamou Redford de seu "cowboy intelectual" e disse que a falta dele é sentida com intensidade. Ela lembrou, com voz embargada, a última ligação entre os dois, quando ele lhe disse: 'Babs, eu te quero bem da alma e sempre vou te querer'. Em resposta a esse afeto, ela disse que encerrou uma das cartas ao ator com um simples 'Eu também te quero bem' e assinou como 'Babs', o apelido carinhoso com que ele a tratava.
Depois das lembranças, veio a música. A interpretação de 'The Way We Were' por Streisand — com a voz marcada pela emoção — escancarou mais do que o luto pessoal: tornou-se um espelho do nosso tempo, uma pequena cena onde memória pessoal e memória coletiva se encontram. A melodia e a letra, já inscritas na história do cinema, ganharam nesta noite uma nova camada semântica, funcionando como um refrão que reconta a história de uma amizade artística e de um país em transformação.
No decorrer da breve, porém densa intervenção, Streisand ainda destacou as contribuições públicas de Redford, lembrando seu ativismo ambiental e sua postura em prol da liberdade de imprensa como partes integrantes de um legado que ultrapassa prêmios e bilheteria. Foi um gesto que reframingou a carreira de Redford em termos de impacto social, reforçando a ideia de que figuras do entretenimento podem ser catalisadores de mudança.
Ao final, a música se extinguiu entre aplausos contidos e uma sensação de que o cinema, como sempre, funciona como roteiro oculto da sociedade: registra perdas, celebra amores e transforma luto em narrativa. A homenagem de Barbra Streisand a Robert Redford no Oscar 2026 não foi apenas um tributo a um colega; foi uma pequena lição sobre como lembrar constrói futuros, e como as canções do passado continuam a dialogar com o presente.


