Brunetta celebra inovação do Iuav e exalta o papel da Biennale como motor cultural de Veneza

Brunetta celebra inovação do Iuav e exalta a Biennale como motor cultural de Veneza, destacando restauro, Mose e a regeneração urbana em Santa Marta.

Brunetta celebra inovação do Iuav e exalta o papel da Biennale como motor cultural de Veneza

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Brunetta celebra inovação do Iuav e exalta o papel da Biennale como motor cultural de Veneza

Por Chiara Lombardi — Em uma cerimônia que funcionou como espelho do nosso tempo, Renato Brunetta, presidente do Consiglio Nazionale dell'Economia e del Lavoro (CNEL), presidente da Venice Sustainability Foundation e ex-professor do Iuav, traçou um retrato da cidade que combina tradição e renovação. Na inauguração do restauro do ex-Convento delle Terese — sede centenária do Instituto Universitário de Arquitetura — Brunetta fez uma prolusão que destacou como a Biennale di Venezia se consolidou não só como evento artístico, mas como ponto de convergência das energias vivas da cidade.

Com o tom direto que lhe é característico, Brunetta mesclou ironia e encorajamento. Após uma réplica à paciência necessária com os “obtusos”, dirigiu-se ao presidente da Biennale, Pietrangelo Buttafuoco, com um caloroso “Forza Pietrangelo!”, gesto recebido por um aplauso imediato e solidário. A cena, pequena em teatralidade porém rica em significado, funcionou como um apoio público que reforça o papel institucional e simbólico da Biennale.

Entre os presentes estavam Benno Albrecht, reitor do Iuav, Valeria Mantovan, assessora da Região do Vêneto para educação e políticas culturais, Elena Donazzan, deputada ao Parlamento Europeu, o prefeito Luigi Brugnaro e Andrea Rinaldo, presidente do Istituto Veneto. A composição do público reforçou a leitura de Brunetta: restauro e inovação cultural são políticas públicas, estratégias urbanas e um projeto de memória coletiva.

Brunetta lembrou ainda como Veneza tem sido protegida da ascensão do nível do mar graças ao Mose e como essa defesa material abre espaço para transformação. Mas a ideia de restauro, segundo ele, vai além da conservação: é uma forma de adaptar, renovar funções e oferecer novas vidas às arquiteturas históricas. Em suas palavras, a intervenção arquitetônica não anula o original, mas amplia suas possibilidades de uso — um verdadeiro reframe da realidade física e simbólica da cidade.

O percurso do Iuav em Santa Marta, iniciado no fim dos anos 1990, foi citado como exemplo de estratégia de reutilização: uma lógica de rigeneração urbana que transformou o espaço em um campus unitário e difuso, capaz de integrar estruturas heterogêneas em um único sistema. “Veneza é, como dizemos, a mais antiga cidade do futuro”, afirmou Brunetta, adicionando que o Iuav é “uma das vozes mais autênticas do novo Renascimento veneziano”.

Há, portanto, um roteiro oculto que liga restauro, ensino e evento: a Biennale como catalisador global; o Iuav como laboratório local; e a cidade como tela e ator. Esta cerimônia foi, ao fim, um convite a olhar para o patrimônio não apenas como relicário, mas como ateliê de possibilidades — uma semiótica do viral cultural que reescreve o passado para produzir futuro.